quinta-feira, 25 de junho de 2009

Canoas 70 anos


Parabéns Canoas 70 anos é só começo...
O PSOL agradece toda confiança e ajuda nas últimas eleições sem a qual não seria possivel nossas candidaturas, vamos trabalhar para corresponder cada voto a nós oferecido e dizer que não entraremos no jogo político da cidade.

CPI NA ULBRA JÁ!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Esclarecimento sobre oque ocorre na fazenda de DANTAS, ?Banqueiros com fazenda?? fica a dúvida para que??

Sempre os Movimentos são penalizados pelos donos das Fazenda e dessa vez ainda armar uma emboscada, se o MST sofre agressões constantes por tentar sobreviver e revindicar nossos direitos, imagina se não existisse o MST a sociedade seria ainda pior!



NOTA

Esclarecimentos sobre acontecimentos no Pará.

Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar. Esclarecemos também que:


1- No sábado (18/4) pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra entraram na mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão danificados por conta das chuvas que assolam a região. A fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de recolherem os materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os sem-terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam buscar as palhas. O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou a turma subir, se disponibilizando a levar a palha e a lenha até o acampamento.


2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram quando os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão. Os seguranças chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O trabalhador rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão, enquanto os outros conseguiram fugir. O sem-terra foi preso, humilhado e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas.


3- Os trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o acampamento, que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram os companheiros do acampamento, que resolveram ir até o local da guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador rural detido. Logo depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma lista de militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois, os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças do acampamento.


4- Sem a palha e a lenha, os trabalhadores sem-terra precisavam voltar à outra parte da fazenda para pegar os materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças. Os jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada dos marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não atrapalhar a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de “escudo humano”, até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram levados de avião pela Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que tinham tramado uma emboscada.

5- Os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento na região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos seguranças, os trabalhadores sem-terra foram recebidos a bala e saíram correndo – como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.

6- Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara. O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma bala alojada no coração. Depois de atirar contra os sem-terra, os seguranças fizeram três reféns. Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo Ribeiro e Índio.


7- Sem ter informações dos três companheiros que estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os acampados fecharam a rodovia PA-150, na frente do acampamento, em protesto pela liberação dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria. Os sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação dos três trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia Militar.


MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - PARÁ

terça-feira, 21 de abril de 2009

Aonde passa a sensibilidade!!!

Enquanto vemos o que ocorre, muita vezes de braços cruzados e sentimentos n's invadem nossa mente, sentindo que nunca seremos nós a bola da vez e que estamos sempre livre de sermos atingidos pela realidade ela não assusta, mas quando chega nossa vez a coisa fica muito ruim.

Parece que estas semanas que passaram a realidade chegou aos funcionários e alunos e professores da ULBRA e até para o time de futebol que se despede da existencia dos gramados gauchos e entre outros compeonatos...

Os protesto reclamam de um única pessoa o Reitor, certamente um dos principais culpados pela quebra desta instituição, essa que deveria ser um templo de conhecimento, mas virou mais um templo de repressão aos que tentavam muito mudar o DCE e exemplo de corrupção.

Será que nesse mar de sentimentos esquecemos que outros também fizeram parte nesse descuido que sepulta hoje a ULBRA, mas sepulta outros instituições ela e apena uma delas. Outras como o congresso também estão dentro desses exemplos, devemos pensar em outros pessoas que trabalharam na ULBRA como é o caso de um prefeito recém eleito na cidade de não sei aonde e de não se de quem.

E essas pequenas coisas quase passam desapercebidas, pois nossa sensibilidade muitas vezes não se dá conta.

Abram os olhos por que não só um homem falha as vezes, mas sim vários...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Luciana Genro fala no depoimento de Daniel Dantas à CPI dos Grampos

Confira trecho da fala de Luciana no link http://www.youtube.com/watch?v=41By2dDtpIw
A CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Clandestinas ouviu, nesta quinta-feira, 16, pela segunda vez, o banqueiro Daniel Dantas, dono do banco Opportunity, investigado na Operação Satiagraha da Polícia Federal, que constatou atividades ilícitas, entre elas crimes financeiros, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Condenado em primeira instância por crime de corrupção, Daniel Dantas falou protegido por um habeas corpus na posição de investigado, o que lhe abriu precedente de não falar a verdade.
O líder do PSOL, deputado Ivan Valente, questionou declaração de Dantas, que disse que parte das escutas da Satiagraha seriam ilegais, já que ficou-se comprovado que os grampos aconteceram de forma legal. O banqueiro entregou um laudo particular, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Comunicação Eletrônica e Informática, que comprovaria a ilegalidade e observou que as autorizações judiciais podem comprovar quais escutas foram ou não legais.”Isto é uma aberração. Nem CPI, nem PF, nem imprensa constataram irregularidades, somente o depoente, que parece que tem larga experiência na área de grampos telefônicos”, contrapôs o deputado.
Condenado a dez anos de prisão por tentativa de suborno do delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves, Dantas argumentou que a gravação que trata do assunto foi forjada e que os dois envolvidos, Humberto Braz e Hugo Chicaroni, não tentaram subornar o delegado com R$ 1 milhão. Ivan Valente esclareceu que o procedimento foi autorizado pelo juiz Fausto De Sanctis, como parte das investigações da Satiagraha.
O deputado citou ainda uma gravação telefônica em que uma voz feminina falava a Daniel Dantas da existência de um parlamentar contrário a fusão da Brasil Telecom e Oi. “Falavam de um tal de Ivan Valente. E a resposta foi: é verdade, ele é contra, mas está isolado”. O banqueiro negou ter conhecimento dessa gravação. Ivan Valente questionou também quanto as empresas de Dantas lucraram com a fusão e obteve como resposta que o grupo econômico do banqueiro não tinha interesse e não teve qualquer lucro na operação de fusão..
Membro da CPI, o deputado Chico Alencar perguntou a Dantas quem era o perito e quanto foi pago pelo laudo que afirma que a gravação do suborno seria falsa. O banqueiro disse que a perícia foi feita por Ricardo Molina e paga por Humberto Braz, mas não soube informar quanto custou o serviço. Respondendo ao deputado, Dantas disse que só tomou conhecimento através da imprensa sobre a investigação da empresa Kroll, envolvendo a Brasil Telecom, e das mais de 200 caixas de documentos sobre o assunto.
Questionado sobre a atuação de suas empresas, o banqueiro respondeu que “seu ramo é investir” e atua, no momento, nos setores de produção de alimentos, imobiliário e mineral. Disse também que nunca investiu em partidos políticos nem candidatos, mas que não sabia informar se sócios seus teriam feito – Dório Ferman, um dos sócios do Opportunity, consta como doador de várias campanhas eleitorais.
Quando estourou a operação Satiagraha, em julho de 2008, e o juiz Fausto De Sanctis mandou prender por duas vezes Daniel Dantas, o banqueiro foi libertado por força de dois habeas corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Diante desse fato, Chico Alencar perguntou qual a relação de Dantas com o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, e teve como resposta a não existência de qualquer relação.
Segundo a deputada Luciana Genro, Daniel Dantas tenta posar de “injustiçado e perseguido, mas é um criminoso condenado, um dos maiores de colarinho branco que já atuaram no Brasil”. Para ela, o banqueiro tenta, a qualquer custo, desmoralizar a PF ao dizer que a gravação de suborno é uma fraude. Tenta também desmerecer a atuação do delegado Protógenes Queiroz argumentando que o delegado realizou escutas ilegais.
“Dantas é um dos maiores corruptos. É um homem poderoso, com um círculo de amigos influentes. Enquanto os que ousaram desafiá-los estão sendo rechaçados e sofrendo consequências, como os delegados Protógenes Queiroz e Paulo Lacerda e o juiz Fausto de Sanctis”, afirmou a deputada.

PSOL-RSRua da República, 108 - Cidade Baixa - Porto Alegre - CEP: 90050-320Telefone: (51) 3029-5049 - (51) 3022-5048Site: www.psolrs.org.bre-mail: psolrs@viars.net

Os amigos de Daniel Dantas querem confundir a população e perseguir quem os combate

Roberto Robaina critica setores da grande mídia que tentam se aproveitar de denúncias para confundir a população, acusando PSOL e Luciana Genro por ter pago passagens para Protógenes, como se tal pagamento fosse igual a algumas das falcatruas efetuadas por parlamentares corruptos.No Brasil, se misturam escândalos de corrupção de toda a monta e tipo.. Alguns recentes e graves, como as fraudes em licitações envolvendo a grande empreiteira Camargo Correa. O de maior repercussão foi o do banqueiro Daniel Dantas. Mas infelizmente novos escândalos facilitam que os escândalos envolvendo as grandes empresas capitalistas e banqueiros sejam abafados. Depois dos mensalões, do assalto aos cofres públicos no Senado, de parlamentares comprarem castelos roubados com o dinheiro público, outra falcatrua é revelada: deputados pagam passagens para artistas passearam nos camorates de carnaval e vendem sua cota de passagens para empresas, que as revendem. Mas no caso dessa falcatrua há uma novidade: desta vez, setores da grande mídia tentam aproveitar as denúncias para confundir a população. Tratam de incriminar também o Partido Socialismo e Liberdade com acusações ridículas e estapáfúrdias. Acusam o PSOL e nossa deputada federal Luciana Genro de ter pago passagens para o delegado Protógenes Queiroz. Tentam vender a idéia de que tal pagamento fosse igual a algumas das falcatruas efetuadas por parlamentares corruptos. Trata-se da típica tentativa de colocar todos na vala comum para que tudo continue como está. E, ao mesmo, tempo abafar os grandes assaltos levados adiante pelas grandes empresas.Ocorre que, nos últimos anos, nosso país foi palco de lutas que garantiram conquistas democráticas que necessitam continuar e se aprofundar. São essas conquistas que estão ameaçadas. São conquistas ainda parciais, pequenas, mas é significativo que tenhamos juízes, delegados e procuradores de Justiça que combatem a corrupção, que investigam, mandam prender e não vacilam em enfrentar as mais sórdidas campanhas para insistir nesse caminho. São exemplos o juíz Fausto De Sactis, o procurador Rodrigo de Grandis e o delegado da Polícia Federal Prótogenes Queiroz. Foi o trabalho deles que revelou e desmascarou a quadrilha criminosa chefiada pelo megaempresário Daniel Dantas, um dos banqueiros mais influentes do país, cujas relações, influência e amizade se estendem ao juízes do Supremo Tribunal Federal, ao Congresso Nacional e aos partidos do governo e da oposição de direita, notadamente, PSDB, DEM e PT.Mas no Brasil da injustiça, da corrupção e da impunidade, onde os milionários e as grandes empresas, latifundiários e banqueiros dominam o poder e os governos de plantão, os corruptos mantêm a ofensiva. Por isso, enquanto Dantas segue solto - apesar de condenado a dez anos de prisão pelo juís De Sanctis - Protógenes, o delegado, é perseguido, afastado de sua função na Polícia Federal e se transforma de investigador em investigado. É um escândalo. No Brasil da corrupção, os donos do poder controlam também a maior parte da mídia e a utiliza para defender seus interesses.Por isso, além de Protógenes, o PSOL está sendo atacado. Afinal, assim como ele é expressão de que existem delegados que de fato cumprem sua obrigação pública de combate ao crime, existem partidos e políticos que lutam pelos interesses populares e combatem as falcatruas dos donos do poder. Essa é a razão que motivou o encontro de Protógenes com o PSOL.. Os mesmos que combatem Protógenes em defesa de Daniel Dantas não poderiam deixar de combater o Partido Socialismo e Liberdade. A tentativa agora é dizer que cometemos algum tipo de crime, ou de má-utilização de recursos públicos e corrupção ao pagar uma passagem da cota legal do partido na Câmara dos Deputados para uma viagem do delegado para atender o convite de participar de uma palestra na Ufrgs - Universidade Federal do Rio Grande do Sul e de um ato contra a corrupção, no centro de Porto Alegre, em novembro de 2008, com a presença da ex-senadora, candidata ao Planalto e agora vereadora de Maceió, Heloísa Helena (PSOL/AL).A viagem de Protógenes foi autorizada pela Polícia Federal. Não apenas foi dentro da lei e do estrito exercício do mandato parlamentar de Luciana Genro, como foi uma viagem fundamental para nossa luta contra a corrupção. Não vamos parar essa luta. Não vamos nos intimidar com as campanhas de calúnia dos amigos de Daniel Dantas, que tentam confundir a opinião pública para que tudo continue como está.Roberto Robaina, presidente do PSOL/RS

segunda-feira, 16 de março de 2009

Vergonha nacional tentar desmoralizar dois importantes militantes sociais!!!

Nota de Renato Roseno, advogado e presidente do PSOL do Ceará.

Companheiros e companheiras,

Desde ontem, nossos companheiros Chico Alencar e João Alfredo vêm sendo atacados.
Um factóide sem qualquer responsabilidade ou fundamento foi lançado pelo demo César Maia (RJ).

Minha reflexão é que há uma refinada conexão entre os ataques de hoje, os ataques à Luciana Genro na semana passada e toda a onda criminalizante da esquerda e dos movimentos sociais. Interessa à direita que uma nova alternativa de esquerda não tenha legitimidade social e que não ganhe vulto. Em resumo, querem nos colocar na vala comum da política institucional até mesmo antes que ameacemos as acomodações das forças do sistema (há 2010 na espreita e a direita ideológica quer disputar seu naco).

As informações sobre o fato estão em nosso site:

http://www.psolcear a.org.br/ index.php? option=com_ content&task=view&id=135&Itemid=1

A questão é que as novas tecnologias permitem a fácil replicabilidade. Como a intenção da imprensa é nivelar por baixo (assim, o povo não há de confiar em organizações ideológicas à esquerda), somente hoje mais de 270 blogs e sites de notícias reproduziram basicamente a mesma matéria feita pela Agência Estado.

Precisamos combater neste ambiente das mídias eletrônicas também. Os abutres de plantão, que por motivos diversos são incomodados com o surgimento do PSol (à direita e à esquerda), também se fartam em comentários e malidicências, contribuindo para a ação contra nós. Temos que reagir. Sei da solidariedade de todos, mas é precisor militar em defesa de nossos companheiros, de nosso coletivo e de nosso projeto. Vamos impulsionar uma reflexão crítica e politizada sobre o fato: em primeiro lugar, não há denúncia contra nós. É um factóide e precisa ser (des)qualificado como tal. Em segundo lugar: devemos questionar a quem interessa isso (a criminalização e achincalhamento dos lutadores sociais e dos movimentos. Lembrem-se: neste exato momento há uma ofensiva contra o MST). E, por fim, pensar o porquê da grande imprensa ser tão prodigiosa e ágil em reproduzir este tipo de informação que contraria qualquer parâmetro de sensatez e coerência. É a aposta no pior. Contra isso, temos que agir.

Levar bordoadas do José Aníbal (PSDB), do Roberto Jefferson e do César Maia (DEM) é atestado de boa conduta política e ideológica.

"É preciso estar atento e forte"
Abraços,

Renato

quarta-feira, 4 de março de 2009

Reunião

Convidamos a todos os camaradas, membros do diretório municipal e filiados, do Partido Socialismo e Liberdade Canoas, para participarem da reunião que terá a seguinte proposta de pauta:

1- Informes
2- Finanças
3- Convenção municipal
4- Comissão executiva municipal
5- Coffee-break
6- Mística de encerramento

Local: Av. Guilherme Schell 1250 - Rio BrancoCanoas – RS (em frente a estação Niterói/Uniritter)
Data: 14/03/2009 – Sábado - 14h00min

SAUDAÇÕES SOCIALISTAS E REVOLUCIONÁRIAS
psol-canoas@hotmail.com psolcanoas50.blogspot.com

Atenciosamente
Alexandre Eusebio Peres
Vice presidente PSOL Canoas

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

P-SOL – Partido Socialismo e Liberdade

P-SOL partido da Senadora Heloisa Helena, é fruto da persistência e de milhares de militantes socialistas e libertários, Mulheres e homens que se negaram à conveniência do banquete farto do palácio do planalto. Temos orgulho de nossa coerência histórica nos movimentos sociais, na vida cotidiana ou no parlamento.
No Brasil, onde 5 mil famílias controlam 45% da riqueza do país, mais de 55 milhões de pessoas vivem com menos de 1 salário mínimo por mês. E enquanto os banqueiros e especuladores receberam 187 bilhões de reais de juros por ano da divida publica, o governo Lula, impõe um salário mínimo indecente de R$ 350,00 para os trabalhadores e trabalhadoras.
Nascemos chamando a mobilização por trabalho e salário dignos, por reforma agrária, por educação e saúde pública de qualidade, pela ruptura com os monopólios capitalistas e contra todo tipo de exploração a nossa gente. Buscamos um novo socialismo que garanta justiça e igualdade de condições para todos, com liberdade e a mais ampla democracia, que promova o respeito aos direitos civis, individuais e coletivos.
Bandeiras de lua do P-SOL
· Em defesa dos direitos dos trabalhadores.
· Contra as retirada dos direitos trabalhistas e por salário digno.
· Em defesa dos recursos naturais brasileiros.
· Em defesa da soberania nacional contra o imperialismo no Brasil e em todo continente e contra a exploração de todos os povos em qualquer parti do mundo.
· Em defesa dos aposentados e idosos.
· Em defesa dos direitos dos jovens e das mulheres, lutando por uma política que beneficie diretamente aos jovens e mulheres.
· Taxação das grandes empresas, fortunas, pesados impostos sobre os mais ricos e alivio da carga tributaria sobre a classe média e os pobres.
· * Por um Brasil, que seja dos brasileiros e que todas as riquezas sejam dos brasileiros e não de uma imensa minoria aliada ao imperialismo e a exploração do nosso país.
Venha para o P-SOL Partido Socialismo e Liberdade, lute conosco por uma nova sociedade que seja livre e soberana, lute pelo seu país, lute por você.

Estudantes gaúchos farão protesto contra plantação de eucaliptos‏

Estudantes gaúchos farão protesto contra plantação de eucaliptos
Em meio a floresta Amazônica, o 9° Fórum Social Mundial (FSM) de Belém do Pará vem estimulando também o surgimento de propostas ecológicas. Os universitários gaúchos que também apostam no tema ambiental participam do Fórum deste ano, entre 27 de janeiro e 1 de fevereiro, para contestar o cultivo de eucalipto no Rio Grande do Sul. Sob os argumentos de que a plantação de celulose das grandes empresas substitui progressivamente a produção de alimentos, leva à degradação ambiental e resulta no chamado "deserto verde", os estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) farão intervenções políticas para auxiliar as regiões que desenvolvem a monocultura do eucalipto. Uma das organizadoras do grupo de universitários e membro do Diretório Central de Estudantes da Ufrgs, Ana Paula Madruga, considera recorrente o questionamento da economia crescente de celulose em detrimento da propriedade das terras e da excessiva plantação dos eucaliptos. "E uma praga que desgasta o nosso solo", avalia. A estudante, que cursa ciências sociais na federal gaúcha, compreende que será possível mobilizar os participantes do FSM, pois o "deserto verde" soma influências político-econô micas de outros estados, além do viés ecológico dos gaúchos. "Surgirão interessados nessa realidade, que não é exclusiva do nosso Estado, até porque as papeleiras tomaram conta de diferentes regiões do Brasil".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O Amor

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Sobre nosso posicionamento do Segundo Turno!!

NOTA PÚBLICA DO PSOL

O Partido Socialismo e Liberdade agradece a todos que
depositaram sua confiança na candidatura Paulo Sérgio e
nos nossos candidatos e candidatas a Câmara de Vereadores.
Reafirmamos a nossa luta pela construção de uma sociedade
socialista e reiteramos o compromisso com os movimentos
sociais e com a defesa dos direitos de nosso povo.

Em Canoas, a campanha foi dominada pela grande estrutura
financeira dos partidos tradicionais. Os materiais de
campanha de nossos oponentes mais pareciam peças
publicitárias de grandes redes e empresas. As ruas da
cidade nos últimos dias de campanha foram tomadas por cabos
eleitorais contratados. Nas comunidades foram oferecidos
programas públicos e serviços apresentados não como um
direito, mas como uma concessão de candidaturas.

O PSOL realizou com independência política e econômica
uma campanha militante. Contamos com a contribuição
voluntária de centenas de companheiros e companheiras que
dedicaram tempo e energia para defender nossas propostas nas
ruas, escolas e locais de trabalho. A campanha do PSOL foi
feita pelas nossas próprias mãos e todos os nossos
militantes sabem de onde veio cada centavo gasto.

Durante todo o período eleitoral denunciamos a forma de
financiamento das ricas campanhas de nossos adversários por
grandes empresas, bancos e empreiteiras. Igualmente
denunciamos os compromissos revelados pelas amplas
coligações. A história recente comprova que esses
compromissos definem a composição dos governos.

Jurandir Maciel integrou todos os últimos governos de
Canoas. O seu partido, PTB, tem quadros envolvidos em
falcatruas e representa a velha política fisiológica e
assistencialista. Recentemente mais uma denúncia foi
exposta demonstrando que na cidade de Canoas por mais de uma
década vinha funcionando um dos principais esquemas de
corrupção do estado.

O candidato Jairo Jorge representa a política que
incentiva na gestão pública os interesses da grande
burguesia industrial e agrária subordinando as políticas
de assistência e de extensão de direitos aos interesses
fiscais e ao modelo de desenvolvimento subordinado ao grande
capital.

Mais recentemente o acordo de preservação entre o PTB e o
PT em Brasília, já admitindo possíveis alianças
eleitorais ao nível federal e estadual, deixa evidente a
convergência das duas candidaturas na defesa de um mesmo
projeto de governo.


Decidimos não recomendar nenhum dos dois candidatos, pois
nenhuma das candidaturas representa uma transformação
efetiva para nossa cidade e ambas estão comprometidas com o
poder econômico.
No dia 26 vamos repetir o voto no 50, anulando nosso voto para protestar
contra a velha política.

Canoas, 15 de Outubro de 2008.
Partido Socialismo e Liberdade

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O Capitalismo atual, e a corrida desesperada para salva-lo!!!

Ótimo texto de Cesar Benjamin Boa leitura!

Karl Marx manda lembranças

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O que estamos vendo não é erro nem acidente. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Em meados do século 19, Karl Marx já havia revelado como este jogo se dá.

Por Cesar Benjamin, na Folha de São paulo

As economias modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam "comportamento racional". Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação.

Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Para ler este artigo na íntegra, clique no "Leia Mais".

Em meados do século 19, Marx destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as "necessidades do estômago" são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada. Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria.

Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D" essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade.

Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo.

O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D". Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Karl Marx manda lembranças.

* CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de "Bom Combate" (Contraponto, 2006).

Fonte: Folha de S. Paulo

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ecossocialismo ou barbarie!!

Só fazendo a natureza nosso objetivo de vida poderemos sobreviver ao futuro auto-destrutivo do planeta!!

http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Natureza é VIVA!

28/04/2008 EDUARDO GALEANO

A natureza não é muda

O Equador está discutindo uma nova Constituição. Entre as propostas, abre-se a possibilidade de reconhecer, pela primeira vez na história, os direitos da natureza. Parece loucura querer que a natureza tenha direitos. Em compensação, parece normal que as grandes empresas dos EUA desfrutem de direitos humanos, conforme foi aprovado pela Suprema Corte, em 1886.

Eduardo Galeano - Brecha


O mundo pinta naturezas mortas, sucumbem os bosques naturais, derretem os pólos, o ar torna-se irrespirável e a água imprestável, plastificam- se as flores e a comida, e o céu e a terra ficam completamente loucos.

E, enquanto tudo isto acontece, um país latino-americano, o Equador, está discutindo uma nova Constituição. E nessa Constituição abre-se a possibilidade de reconhecer, pela primeira vez na história universal, os direitos da natureza.

A natureza tem muito a dizer, e já vai sendo hora de que nós, seus filhos, paremos de nos fingir de surdos. E talvez até Deus escute o chamado que soa saindo deste país andino, e acrescente o décimo primeiro mandamento, que ele esqueceu nas instruções que nos deu lá do monte Sinai: "Amarás a natureza, da qual fazes parte".

Um objeto que quer ser sujeito
Durante milhares de anos, quase todo o mundo teve direito de não ter direitos.

Nos fatos, não são poucos os que continuam sem direitos, mas pelo menos se reconhece, agora, o direito a tê-los; e isso é bastante mais do que um gesto de caridade dos senhores do mundo para consolo dos seus servos.

E a natureza? De certo modo, pode-se dizer que os direitos humanos abrangem a natureza, porque ela não é um cartão postal para ser olhado desde fora; mas bem sabe a natureza que até as melhores leis humanas tratam-na como objeto de propriedade, e nunca como sujeito de direito.

Reduzida a uma mera fonte de recursos naturais e bons negócios, ela pode ser legalmente maltratada, e até exterminada, sem que suas queixas sejam escutadas e sem que as normas jurídicas impeçam a impunidade dos criminosos. No máximo, no melhor dos casos, são as vítimas humanas que podem exigir uma indenização mais ou menos simbólica, e isso sempre depois que o mal já foi feito, mas as leis não evitam nem detêm os atentados contra a terra, a água ou o ar.

Parece estranho, não é? Isto de que a natureza tenha direitos... Uma loucura. Como se a natureza fosse pessoa! Em compensação, parece muito normal que as grandes empresas dos Estados Unidos desfrutem de direitos humanos. Em 1886, a Suprema Corte dos Estados Unidos, modelo da justiça universal, estendeu os direitos humanos às corporações privadas. A lei reconheceu para elas os mesmos direitos das pessoas: direito à vida, à livre expressão, à privacidade e a todo o resto, como se as empresas respirassem. Mais de 120 anos já se passaram e assim continua sendo. Ninguém fica estranhado com isso.

Gritos e sussurros
Nada há de estranho, nem de anormal, o projeto que quer incorporar os direitos da natureza à nova Constituição do Equador.

Este país sofreu numerosas devastações ao longo da sua história. Para citar apenas um exemplo, durante mais de um quarto de século, até 1992, a empresa petroleira Texaco vomitou impunemente 18 bilhões de galões de veneno sobre terras, rios e pessoas. Uma vez cumprida esta obra de beneficência na Amazônia equatoriana, a empresa nascida no Texas celebrou seu casamento com a Standard Oil. Nessa época, a Standard Oil, de Rockefeller, havia passado a se chamar Chevron e era dirigida por Condoleezza Rice. Depois, um oleoduto transportou Condoleezza até a Casa Branca, enquanto a família Chevron-Texaco continuava contaminando o mundo.

Mas as feridas abertas no corpo do Equador pela Texaco e outras empresas não são a única fonte de inspiração desta grande novidade jurídica que se tenta levar adiante. Além disso, e não é o menos importante, a reivindicação da natureza faz parte de um processo de recuperação das mais antigas tradições do Equador e de toda a América. Visa a que o Estado reconheça e garanta o direito de manter e regenerar os ciclos vitais naturais, e não é por acaso que a Assembléia Constituinte começou por identificar seus objetivos de renascimento nacional com o ideal de vida do sumak kausai. Isso significa, em língua quechua, vida harmoniosa: harmonia entre nós e harmonia com a natureza, que nos gera, nos alimenta e nos abriga e que tem vida própria, e valores próprios, para além de nós.

Essas tradições continuam miraculosamente vivas, apesar da pesada herança do racismo, que no Equador, como em toda a América, continua mutilando a realidade e a memória. E não são patrimônio apenas da sua numerosa população indígena, que soube perpetuá-las ao longo de cinco séculos de proibição e desprezo. Pertencem a todo o país, e ao mundo inteiro, estas vozes do passado que ajudam a adivinhar outro futuro possível.

Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a conquista européia castigou a adoração da natureza, que era pecado de idolatria, com penas de açoite, forca ou fogo. A comunhão entre a natureza e o povo, costume pagão, foi abolida em nome de Deus e depois em nome da civilização. Em toda a América, e no mundo, continuamos pagando as conseqüências desse divorcio obrigatório.

Publicado originalmente no semanário Brecha, do Uruguai.

Os Valores do Governo Lula...

Enquanto a Dívida que não e minha nem sua está aumentando os investimentos com Educação, saúde, Habitação, Cultura e outras essenciais está sendo deixada de lado pelo governo, Vergonhoso!!

ALGUNS DADOS DA INJUSTIÇA ESTRUTURAL NO BRASIL


Frei Gilvander Moreira

De janeiro de 2007 a 2 de dezembro de 2007, o governo federal gastou R$ 222
bilhões com juros e amortizações das dívidas interna e externa. Para 2008,
estão previstos R$ 248 bilhões para o pagamento dos juros e amortizações da
dívida federal, enquanto apenas serão destinados R$ 48 bilhões para a saúde,
R$ 26 bilhões para a educação e R$ 5 bilhões para Reforma Agrária. Os R$ 248
bilhões previstos para a dívida em 2008 representam mais de 6 vezes a
arrecadação prevista da CPMF, caso não fosse derrubada pelo senado.

Apenas de janeiro a outubro de 2007, o prejuízo do Banco Central, decorrente
da política econômica neoliberal, que privilegia os investidores privados,
foi de R$ 58,5 bilhões, ou seja, o dobro da arrecadação da CPMF no mesmo
período. E quem cobre este prejuízo? O Tesouro Nacional, o mesmo que paga os
salários dos servidores públicos. (Dados da Auditoria Cidadã da Dívida).

Está escrito no projeto de Transposição do rio São Francisco (Cf. o
EIA-RIMA) que 70% das águas serão para o hidronegócio (carcinicultura,
criação de camarão e hortifrutigranjeiro s para exportação); 26% para uso
industrial e consumo urbano e apenas 4% para o povo do semi-árido. Isso é
dado técnico que o governo não tem como negar, pois está no projeto.

Os bancos recolhem por ano R$ 54 bilhões através de taxas de serviços, furto
disfarçado de lucro. A Lei Kandir isenta de ICMs (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços) todas as exportações agrícolas e primárias,
penalizando o povo e as contas públicas nos estados e municípios. Por
exemplo, o supermercado Quarteto, de Palmas/TO, compra abacaxi em outro
estado, no CEASA de Goiânia, sendo que ao lado do município de Palmas está
uma das maiores produções de abacaxi do Brasil, mas os grandes produtores
preferem exportar, pois ganham mais com a isenção propiciada pela Lei
Kandir. O povo de Palmas, assim, paga muito mais caro pelo abacaxi que se
transforma, de fato, "em um abacaxi". Se ficasse no Brasil o ICMs sobre 14%
das exportações brasileiras, oriundo dos produtos agrícolas e primários
exportados, não seria necessário CPMF, nem IOF, nem CSSL.

Plínio de Arruda Sampaio, ao analisar a conjuntura atual na qual se deu a
greve de fome de Dom Cappio, alerta: "O processo em marcha consiste na perda
acelerada do controle nacional sobre a economia; na perda, também acelerada,
dos valores culturais que fundamentam o sentimento de identidade nacional;
na deterioração, igualmente acelerada, do meio ambiente; e, para culminar,
na esgarçadura do tecido moral do estado. Estamos em uma conjuntura
dramática. Eis alguns indícios: a situação das populações periféricas nas
médias e grandes cidades, sujeitas a viver em meio à guerra aberta entre as
polícias corruptas e o crime organizado? Que dizer do tratamento dado aos
presos; do descalabro em que se encontra a maioria dos hospitais e do
abandono das escolas públicas? A corrupção que levou quase todo o primeiro
escalão do governo a ser denunciado pelo Ministério Público não configura
uma dramática deterioração moral do estado? No tocante à reforma agrária e à
agricultura camponesa, o governo fez ainda pior: reduziu os insuficientes
aportes que havia inicialmente alocado e passou a estimular o maior
adversário da população rural: o agronegócio. Com isso, procura conseguir
grandes saldos na balança comercial de modo a favorecer a entrada de capital
estrangeiro no país."

Em 2007, o total de terras desapropriadas para fins de Reforma Agrária foi
pífio: apenas 107 mil hectares. Um levantamento do INCRA mostra que 445
imóveis em processo de desapropriação estavam sob óbice judicial no fim de
2007. Concentram-se nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste e somam 903 mil
hectares, suficiente para assentar mais de 30 mil famílias.

Estima-se que existam 170 milhões de hectares de área pública ("terras
devolutas") grilada no País, problema mais severo na Região Norte, mas
também presente em estados como Mato Grosso. Um exemplo é a Usina Pantanal
de Açúcar e Álcool, que ocupa 8,2 mil hectares da União. O empresário Mounir
Naoum, dono de um grupo hoteleiro, reivindica a propriedade. Desde 2003, o
Incra tenta retomar a área. Em dezembro, o Tribunal Regional Federal (TRF)
de Brasília cassou a liminar que dava posse à União. Próximo à área, 220
famílias de Sem Terra esperam assentamento.

Dados preliminares do Censo de 2006 (do IBGE) indicam que há 76,7 milhões de
hectares de áreas de lavouras e 172 milhões de hectares de pastagens no
Brasil.

Em tempo, se você souber de informações que o povo precisa saber que não
aparece na Mídia, favor comunicar-nos para que o colírio da verdade recupere
a visão de muita gente que foi cegada pela cortina fé fumaça produzida por
uma sociedade capitalista engrenada para oprimir.

Belo Horizonte, 07/02/2008.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Software livre!! por que não investir!!

Mari Almeida examina o debate venezuelano sobre o uso do software livre versus o software proprietário na administração pública.

"Cada software proprietário na administração pública é um cavalo de Tróia”. A frase foi dita pelo presidente do Centro Nacional de Tecnologias de Informação (CNTI) da Venezuela, Carlos Figueira. Para ele, o software livre é “uma necessidade para alcançar soberania e independência tecnológica” — desafio constante para a Venezuela, dada a sua posição em relação aos EUA.

Coisa da esquerda bolivariana? Sim, mas não só. Corre na internet o rumor de que Barack Obama, candidato democrata à presidência dos EUA, adotaria o OpenOffice (conjunto de aplicativos livres para escritório) na administração federal, caso eleito.

No Brasil, ao contrário, disputas com o Ministério do Desenvolvimento (e com o lobby da Microsoft, segundo Elio Gaspari) tiraram Sérgio Amadeu do governo em 2005, e diminuíram ainda mais as chances da implementação de uma política mais ampla e formal de software livre na administração pública.


Apesar da boa fama do Brasil nesse sentido, e embora realmente existam vários exemplos de uso avançado de software livre em estatais e determinados órgãos do governo, é certo também que ainda caminhamos a passos lentos.

É necessário enfrentar os muitos interesses contrários, e instituir políticas públicas mais gerais, que ampliem a adoção do software livre na administração pública, bem como o desenvolvimento de software livre pela comunidade. Se o governo ainda paga uma dinheirama em licenças de software proprietário, porque não passar a investir ao menos parte desse dinheiro em desenvolvimento de software livre?

Leia abaixo um trecho do artigo mencionando a política venezuelana. (O original completo, em espanhol, você encontra aqui.)

Com um chamado aos diretores de informática das instituições do Estado para internalizar a implementação de Software Livre como uma necessidade para alcançar soberania e independência tecnológica, o presidente do Centro Nacional de Tecnologias de Informação (CNTI), Carlos Figueira, deu início à jornada “Adoção de Tecnologias Livres na Administração Pública Nacional”. Esse encontro durará três dias, e participarão representantes dos diversos ministérios do Executivo Nacional e a Procuradoria Geral da República

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Partido Socialismo e Liberdade


Comissão Executiva


Presidente
Marco Aurélio de Oliveira Filho


Vice-Presidente
Alexandre Eusebio Peres


1º Tesoureiro
Maria Helena Gomes de Andrade


Secretário-Geral
Elfrído Bergmann

Nota Pública contra a corrupção em Canoas

O Partido Socialismo e Liberdade – PSOL – manifesta à população canoense seu repúdio à corrupção na cidade de Canoas dentro de nossa Prefeitura. Não é normal os principais cargos políticos da cidade serem ocupados por pessoas conhecidas como corruptas por toda a população da cidade há anos e não acontecer nada. Não é normal uma cidade do tamanho e da importância de Canoas passar a vida sofrendo nas mãos de políticos corruptos que só representam os ricos em uma cidade de grande exclusão social, pobreza, falta de moradia, saúde pública e transporte público muito deficientes.
Você que é pai, mãe ou responsável por crianças matriculadas nas escolas municipais está satisfeito com a falta de merendas? Você que não possui sua habitação regularizada e que não possui uma moradia decente para sua família está satisfeito com o envolvimento de governantes da cidade em desvios de verbas públicas como há anos é comum saber aqui em Canoas? Você está satisfeito com a situação que está acontecendo com seus filhos, filhas e parentes em escolas da rede pública estadual que estão precárias, com falta de merendas, funcionários e professores, assim como o envolvimento de políticos do atual governo municipal com o escândalo do DETRAN? Você sabia que o prefeito Ronchetti é do mesmo partido político da governadora Yeda e do corrupto ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso?
Nós não estamos satisfeitos com nada disso e nos manifestamos contra tudo isso! Entendemos que o capitalismo que explora e oprime nossa cidade faz da corrupção uma de suas principais formas de explorar o povo canoense. Entendemos que não existe capitalismo sem existir corrupção, pois a irracional busca pelo lucro e pela riqueza na sociedade capitalista é mais forte do que qualquer ética e até do que a própria vida humana.
Nossa força está na união do povo e em sua organização contra os que lhe exploram e oprimem. Repudiamos o envolvimento do prefeito e do secretário de governo em tais eventos de corrupção que só contribuem para piorar a vida da população de Canoas e em nada contribuem para a construção plena da cidadania e conscientização política do povo canoense.
A Prefeitura de Canoas não deve ser utilizada para enganar e iludir os canoenses e as canoenses.

Conferência Eleitoral Municipal do PSOL Canoas-RS
28 de junho de 2008

domingo, 27 de abril de 2008

Até quando esperar?



Não é nossa culpa Nascemos já com uma bênção Mas isso não é desculpa Pela má distribuição Com tanta riqueza por aí, onde é que está Cadê sua fração Até quando esperar E cadê a esmola que nós damos Sem perceber que aquele abençoado Poderia ter sido você Com tanta riqueza por aí, onde é que está Cadê sua fração Até quando esperar a plebe ajoelhar Esperando a ajuda de Deus Posso Vigiar teu carro Te pedir trocados Engraxar seus sapatos Posso Vigiar teu carro Te pedir trocados Engraxar seus sapatos Sei Não é nossa culpa Nascemos já com uma bênção Mas isso não é desculpa Pela má distribuição Com tanta riqueza por aí, onde é que está Cadê sua fração Até quando esperar A plebe ajoelhar Esperando a ajuda do divino Deus

sábado, 15 de março de 2008

Momento político

Kid Goela Grande

Na Prefeitura da cidade do faz de Conta, a sala de espera do gabinete de Kid Goela Grande estava lotada. Às vésperas de eleição, muita gente pedindo muita coisa. Pela porta dos fundos ingressavam candidatos, com seus tradicionais pedidos. Kid convocou Seu Cimento para organizar o marketing da campanha:
- O que é que faço com tanta gente pedindo? Esse povo quer aproveitar a fase da eleição para pedir telha, caminhão de areia, material de construção, isenção de impostos, local para instalar carrinho de cachorro-quente, banca de revista, regularizar prédio irregular e até alguns pedindo dinheiro vivo.
- Não te preocupa Kid, isto é normal. O que tu tens que fazer é melhorar o caixa das “contribuições espontâneas”. Não sei como vais fazer, mas precisas ter em caixa uns 5 milhões, em dinheiro vivo, para ir resolvendo esses problemas. Mas é importante que resolvas só a metade de cada pedido, o resto só depois da eleição completa. Assegurou inteligentemente Seu Cimento.
- Mas como faço isso?
- Se pedem uma casa, dá-lhes, por escrito, a promessa de que vai fazê-la. Se pedem uma construção, faça até o telhado, e diga que vai completar depois da eleição. Carro de cachorro-quente, com licença temporária até a eleição. Emprego com contrato temporário até a eleição. Ou seja, quem pede, tem que saber que só vai levar plenamente se a gente ganhar a eleição. Diga na cara deles, se a gente perder, vocês também perdem.
Na sala de espera uma senhora especializada em morder candidato ensinava os outros 35 pedintes.
- Vamos pedir e agarrar o que derem. Claro que eles vão vincular o atendimento ao resultado da eleição. Mas aí a gente aplica o velho truque:
Vamos pegar o que puder.
E votar em quem quiser.
Nesse momento, o Aproveitador passava, ouviu a conversa, e delatou à Kid.
- Eles estão muito vivos, vão se aproveitar, na verdade vão roubar da gente e pelo que estou vendo, vão votar nos outros.
- Pode ser verdade, mas temos que acreditar, porque esse é um jogo perigoso. Se a gente dá alguma coisa, eles ficam quietos, se não dermos, eles saem berrando.
Todos os 36 foram atendidos. Meia hora depois, os mesmos pedintes, estavam na sala de espera de um candidato a vereador, que atendeu os pedidos e saiu dizendo:
- Vou me eleger, só hoje atendi 36 pessoas, que me darão, no mínimo, 360 votos. O meu problema é que agora vou ter que ir lá no Kid dar uma mordidinha de 40 mil para cobrir os cheques que entreguei aqui.
No outro lado da cidade, um conhecido puxa-saco ingressava no salão do clube, onde Zé Desaparecido jogava um carteado com uns amigos:
- Vi que estavas aqui, pois o carro da Prefeitura, com motorista e os seguranças, está escondidinho lá nos fundos do clube. Quero te avisar que ouvi agora na rádio que aqueles teus amigos foram todos denunciados no escândalo dos automóveis. Pegaram todos, até aqueles que seguravam tuas broncas. Corre o boato que as investigações desse escândalo, vão chegar em você. Até aqueles jornalistas que tu patrocinas, já estão falando mal de ti.
Entre uma jogada de carta, uma baforada de cigarro, e um uísque amigo, Zé desaparecido saiu dizendo:
- Todo dia notícia ruim. É só pepino. É gente que só quer prejudicar os outros. A pouco recebi um telefonema, da minha amada X9, irritada porque estão fotografando a casinha que estou fazendo para ela. Uma casa humilde, de 700m2. Como tem gente invejosa e ciumenta que fala mal e cria problema nesse mundo. Falando em problema, vou ligar para meu amigo fiel KID goela grande.
- Alô, prefeito, pode ficar tranqüilo, já está tudo resolvido.
- Mas tu não deixaste nem eu falar Kid, e já está me dando a resposta.
- Já está tudo resolvido, as testemunhas desapareceram, as delações premiadas serão reprimidas e mudadas e os nossos jornalistas já estão todos novamente no esquema. Fica tranqüilo , aqui nesse nosso mundinho, tudo é de brinquedo e só está na cadeia ladrão de galinha, tchau.
KID desligou o telefone e soltou sua sonora gargalhada:
- Kuá kuá kuá... vai demorar muito até eles pegarem o e os outros, mas em mim, nunca chegarão. Eu sou o Kid, o que bate e esconde a mão.
Qualquer semelhanças com fatos, dados, nomes ou pessoas conhecidas, é simplesmente, mera coincidência.(fonte www.otimoneiro.com.br)

domingo, 2 de março de 2008

...

“Vai ser preciso muito mais pra me fazer recuar
Minha auto-estima não é fácil de abaixar
Olhos abertos fixados no céu
Perguntando a Deus qual será o meu papel.
Fechar a boca e não expor meus pensamentos
Com receio que eles possam causar constrangimentos
Será que é isso? Não cumprir compromisso
Abaixar a cabeça e se manter omisso.
A hipocrisia, a demagogia se entregue à orgia
Sem ideologia, a maioria fala de amor no singular
Se eu falo de amor é de uma forma inocular
Quem não tem amor pelo povo brasileiro
Não me representa aqui nem no estrangeiro
Uma das piores distribuições de renda
Antes de morrer, talvez você entenda

Confesso para ti que é difícil de entender
No país do carnaval o povo nem tem o que comer
Ser artista, Pop Star, pra mim é pouco
Não sou nada disso, sou apenas mais um louco
Clamando por justiça, igualdade racial
Preto, pobre é parecido mas não é igual
É natural o que fazem no senado
Quem engana o povo simplesmente renúncia o cargo
Não é caçado, abre mão do seu mandato
Nas próximas eleições bota a cara como canditado
Povo sem memória, caso esquecido
Não foi assim comigo, fiquei como bandido
Se quiser reclamar de mim, que reclame
Mas fale das novelas e dos filmes do Van Dame
Quem vive no Brasil, no programa do Gugu
Rebolo, vacilou, agachou e mostrou
Volta pra América e avisa pra Madona
Que aqui não tem censura meu pais é uma zona
Não tem dono, não tem dona, nosso povo ta em coma
erga sua cabeça que a verdade vem à tona.
Soldado da guerra a favor da justiça
Igualdade por aqui é coisa fictícia
Você ri da minha roupa, ri do meu cabelo
Mas tenta me imitar se olhando no espelho
Preconceito sem conceito que apodrece a nação
Filhos do descaso mesmo pós – abolição
Mais de 500 anos de angustia e sofrimentos
Me acorrentaram, mas não meus pensamentos
Me fale quem... Quem!?
Tem o poder... Quem!?
Pra condenar... Quem!?
Pra censurar... Alguém!?
Então me diga o que causa mais estragos
100 gramas de maconha ou um maço de cigarros?
O povo rebelado ou polícia na favela?
A música do Bill ou a próxima novela?
Na tela, seqüela, no poder corrupção
Entramos pela porta de serviço
Nossa grana não
Tapão ... só pra quem manda bater
Pisando nos humildes e fazendo nosso bonde crescer (CV)
MST, CUT, UNE, CUFA (PCC)
O mundo se organiza, cada um a sua maneira
Continuam ironizando
Vendo como brincadeira, besteira
Coisa de moleque revoltado
Ninguém mais quer ser boneco
Ninguém mais quer ser controlado
Vigiado, programado, calado, ameaçado
Se for filho de bacana o caso é abafado
A gente é que é caçado, tratados como Réu
As armas que eu uso é microfone, caneta e papel
A socialite assiste a tudo calada
Salve ! Salve ! Salve!
Oh ! pátria amada, mãe gentil
Poderosos do Brasil
Que distribuem para as crianças cocaína e fuzil
Me calar, me censurar porque não pode fala nada
É como se fosse o rabo sujo falando da bunda mal lavada
Sem investimento, no esquecimento, explode o pensamento
Mais um homem violento
Que pega no canhão e age inconseqüente
Eu pego o microfone com discurso contundente
Que te assusta uma atitude brusca
Dignificando e brigando por uma vida justa
Fui transformado no bandido do milênio
O sensacionalismo por aqui merece um premio
Eu tava armado mas não sou da sua laia
Quem é mais bandido? Beira mar ou Sérgio Naya?
Quem será que irá responder
Governador, Senador, Prefeito, Ministro ou você?
Que é caçado e sempre paga o pato
Erga sua cabeça pra não ser decepado
Como pode ser tragédia a morte de um artista
E a morte de milhões, apenas uma estatística ?
Fato realista de dentro do Brasil
Você que chorava lá no gueto ninguém te viu
Sem fantasiar realidade dói
Segregação, menosprezo é o que destrói
A maioria é esquecida no barraco
Que ainda é algemado, extorquido e assassinado
Não é moda quem pensa incomoda
não morre pela droga, não vira massa de manobra
Não idolatro a mauricinho de Tv, não deixa se envolver
Porque tem proceder Pra que? Porque?
Só tem paquita loira, aqui não tem preta como apresentadora
Novela de escravo a emissora gosta mostra os pretos
Chibatadas pelas costas
Faz confusão na cabeça de um moleque que não gosta de escola
E admira uma intra-tek Clik – clek Mão na cabeça
Quando for roubar dinheiro público
Vê se não se esqueça
que na sua conta tem a honra de um homem envergonhado
Ao ter que ver sua família passando fome
Ordem e progresso e perdão
Na terra onde quem rouba muito não tem punição

É! Mantenho minha cabeça em pé!
Fale o que quiser pode vir que já é!
Junto com a ralé Sem dar marcha ré!
Só Deus pode me julgar por isso eu vou na fé !”

Só Deus Pode Me Julgar

Mv Bill

domingo, 3 de fevereiro de 2008



Analisando o pensamento de Marx, percebo que sua tese se concretiza a cada dia que passa, num ritmo acelerado e em grande proporção, a sociedade divide-se em duas grandes classes, assim como Marx previu, o método de produção asiático, tão temido, na antiguidade, tomou conta do mundo moderno, ainda existem algumas classes intermediárias que resistem de maneira inútil.

Estamos à beira da grande revolução descrita por Marx, no Brasil, por exemplo, 90% da população é controlada pelos 10%, de ladrões, corruptos, demagogos e bandidos que detém o poder neste país, que insistem em querer dizer-se inocentes, se escondendo atrás de algo ou de alguém, são homens o bastante para prometer, mas na hora de cumprir não sabem onde se esconder de vergonha, acabam se juntando a maioria dos corruptos.

Esta guerra não demorará muito para acontecer, escuto cada vez mais as pessoas demonstrarem sua insatisfação e buscarem seus direitos, deixando de ter medo da justiça, a justiça serve para dar a cada um, o que é seu de direito, conforme diz a lei.

O crescimento das grandes indústrias e a modernização dos maquinários usados nas grandes fábricas, substituindo cada vez mais a mão de obra humana, existindo cada vez menos vagas no mercado de trabalho e exigindo-se cada vez mais qualificação para ocupar cargos subalternos e com salários miseráveis, empresas que contratam pessoas pensando que são escravos.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007


O sistema faz questão de nos manter fora da realidade nos iludindo com novelas, carnaval, futebol,etc.
Gostaria de saber que cultura é essa, que mensagem nos traz, será que as pessoas não vêem a realidade que esta diante de seus olhos.

Será que não percebem que estão sendo lobotomizadas para serem mantidas sob controle, para que pensem que a vida é só isso, vamos tentar ver por outro lado, porque todos reclamam,protestam,falam mal, mas tem medo de tomar uma atitude radical.

Quem vai nos libertar dessa escravidão virtual?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

PSOL: Socialismo e Liberdade para Canoas!

O PT expulsou parlamentares que estavam votando no Congresso Nacional em desacordo com as políticas do Governo Lula. A Senadora Heloísa Helena, a Deputada Federal Luciana Genro e os Deputados Federais Babá e João Fontes foram expulsas e expulsos ao não renunciarem pelo que sempre lutaram, pela justiça social em nosso país. Surge o movimento pelo novo partido que dá origem ao Partido Socialismo e Liberdade.


Antes mesmo de conseguir realizar seu primeiro Congresso o PSOL passa por eleições nacionais, onde a ex-senadora Heloísa Helena alcança vitoriosamente o terceiro lugar nas eleições presidenciais e no Rio Grande do Sul e a Deputada Federal Luciana Genro é reeleita continuando a luta em seu mandato.


A experiência política dos parlamentares devem ser utilizadas para as lutas que enfrentaremos. O Partido deve agora voltar-se para os movimentos sociais, para os setores populares, característica fundamental de uma organização política de esquerda e socialista que no PSOL ainda está em construção devido à sua origem na institucionalidade do Parlamento. Um Partido construído a partir dos Núcleos de Base, democrático e de luta é o que precisamos para acabar com as mazelas que o capitalismo cria em nossa cidade.


A Frente de Esquerda possui apenas o PSOL como partido organizado na cidade. Sua tarefa será de liderar a construção de uma alternativa para o município na construção do socialismo. A de utilizar as eleições para organizar o povo para suas lutas contra a burguesia e seus representantes políticos, construir a consciência socialista e revolucionária do povo canoense e de utilizar prováveis mandatos e gestões para apresentar e realizar leis e políticas públicas que defendam os interesses do povo explorado e oprimido da cidade de Canoas.


Queremos um PSOL que trabalhe para o fim do domínio da burguesia e da exploração do povo, queremos um partido democrático, de núcleos e dos militantes, queremos um partido que construa a formação política de seus quadros, queremos um partido internacionalista, um partido antiburocrático, queremos um partido contra qualquer forma de opressão, um partido verdadeiramente ambientalista, ou seja, um partido ecossocialista, queremos um partido que se integre com os movimentos de bairro, com os movimentos populares, que esteja atento aos desmandos do poder público e que esteja sempre ao lado dos trabalhadores e das trabalhadoras no dia-a-dia, nas greves, nas reivindicações e lutas, que lute por uma Canoas verdadeiramente solidária, socialmente justa, ambientalmente sustentável e humanamente digna.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Canoas tem Polícia, mas e Política, tem?


O policiamento em Canoas serve mais para proteger as mercadorias do que as pessoas. Não se faz segurança do povo, se faz segurança para os bens, para as propriedades e para os objetos voltados para o lucro. Mesmo assim podemos dizer que de Política, Canoas tem menos ainda. Pois é uma política que atende aos interesses das mesmas minorias, das mesmas elites, que organizaram Canoas como ela é. Onde para lucro capitalista tudo funciona direitinho e para os habitantes locais a vida é um verdadeiro caos. A militância de esquerda e dos movimentos sociais sempre foi bem “guardada” pela segurança pública, enquanto a população padece sem segurança em meio à violência urbana.


Desde o fim da Ditadura e o início do período histórico da Redemocratização no Brasil o crescimento da organização de forças sociais e políticas progressistas aconteceu em Canoas também. A constituição da Frente Popular, liderada pelo PT, e da CUT, liderada principalmente pelo Sindicato dos Metalúrgicos, fizeram de Canoas um dos municípios do Rio Grande do Sul onde Lula e Olívio nunca perdiam nas eleições. Mas, devido à cultura da cidade ser dividida e fragmentada, quando as eleições eram de nível municipal, a direita governista sempre ganhou devido principalmente ao poder econômico maior influenciando localmente. Ou seja, a nível estadual e nacional Canoas alinhava-se politicamente á esquerda, mas a nível municipal voltava para a direita novamente. A esquerda deste município nunca conseguiu unificar a população em torno de seu projeto, tendo ele tendo sido sempre de caráter majoritariamente reformista e revolucionário em alguns pontos. A direita também nunca conseguiu construir uma cidade com a população integrada, devido ao projeto econômico que o capitalismo definiu para a região, ao contrário, sempre se utilizou e ampliou esta divisão da população canoense em benefício próprio.


A pobreza e a miséria da população canoense sempre foi utilizada de forma oportunista e corrupta. As ruas que a prefeitura asfaltava transferiam quase todos os seus votos para a reeleição do prefeito em questão ou para quem ele apoiava e indicava o voto. O assistencialismo sempre foi utilizado na política pragmática e clientelista do “toma lá, dá cá” com shows e festas beneficientes, cortes de cabelo gratuitos, etc, principalmente nos últimos anos na Administração “Solidária” dos Governos Ronchetti. O paternalismo corrupto cresceu em Canoas ao ponto de decidir eleições quando a direita venceu várias vezes a Frente Popular e a esquerda com votos conseguidos a partir da distribuição ilegal de cestas básicas nos bairros pobres de periferia nas vésperas da eleição. A Administração Solidária do PSDB demonstrou apoiar-se no capitalismo em todas as suas ações de governo, assim como corrupta, sendo denunciado publicamente o primeiro escalão do governo municipal por desvios de dinheiro público e racismo. De forma truculenta e violenta há muitos anos a direita de Canoas age com ameaças de agressões físicas e ameaças de morte para com militantes de esquerda, militantes sociais e populares que ousam dirigir-se à órgãos municipais para reclamar dos desmandes da prefeitura em seus sucessivos governos. Uma “polícia política” informal.


Mesmo assim o governo da Administração Solidária deu uma “cara” nova e moderna à gestão municipal, como Canoas nunca teve, com slogans e tudo! Isso a deu ânimo e a diferenciou das gestões anteriores da direita conservadora que levava a administração municipal “com a barriga”. E o “show” do assistencialismo cumpre de forma clientelista a relação corrompida com a alienação geral da população assim como a pobreza do povo canoense se relaciona de forma oportunista com o abuso do poder econômico criando um vasto campo propício á continuidade do paternalismo político em nossa cidade nas próximas eleições municipais.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Canoas é marginal: ao capital e à Capital


Assim como outras cidades da Grande Porto Alegre, como Esteio, Sapucaia, Nova Santa Rita, Cachoeirinha, Alvorada ou Viamão, Canoas foi construída à margem da Capital do Estado, não para beneficiar a população local, em geral pobre e despossuída, mas sim para facilitar o acúmulo de capital da burguesia local e, principalmente, das burguesias de Porto Alegre e das cidades de imigração alemã ao norte. Canoas, Esteio e Sapucaia se tornaram cidades oprimidas e colocadas à margem pela exploração destas burguesias regionais ao norte e ao sul. Assim como diz o grafite em um bairro da periferia de Esteio: “Quando morrer vou para o céu porque o inferno já é aqui.”. Um bairro tão de periferia quanto os bairros canoenses, que por alguns metros no mapa do município poderia fazer parte de nossa cidade, mas que nada mais tem de diferente porque a miséria e a pobreza são as mesmas.


Com uma população maior que a maioria destas cidades à margem da Capital, Canoas possui uma característica própria: seus habitantes sentem-se mais próximos ao bairro ou vila em que moram do que a cidade como um todo. Ser “de Esteio”, “de Cachoeirinha” ou “Viamão” é tão normal quanto ser “da Mathias”, “de Niterói” ou “do Guajú”. As facilidades do transporte de mercadorias que o capitalismo criou em nossa cidade tornou mais fácil passar pela cidade do que transitar dentro dela, dividindo a vida da população. Quem sai de seu bairro para ir ao centro da cidade diz que vai “à Canoas” assim como vai à Porto Alegre ou Sapucaia. Até porque a dificuldade para transportar-se até lá é a mesma e ás vezes mais difícil do que sair de Canoas.


A construção do Trensurb desde 1985 acelerou ainda mais este processo. As pessoas passaram inclusive a se identificar com a Estação de trem em que descem para sua casa. “Sou da São Luís”, “Sou da Fátima”, pois não há outra forma de viver, de estabelecer contato com as pessoas, de aparecer, ou seja, as pessoas passaram a se identificar com o instrumento de transporte que diariamente traz e leva, leva e traz, canoenses para serem explorados em seus empregos e trabalhos. As propagandas comerciais e os out-doors sim, têm lugar preferencial e reservado por toda a rodovia federal, de um lado ao outro de Canoas, com a poluição visual e territorial que afeta a vida dos habitantes locais, para se instalarem onde quiserem parecendo ser o que desejarem, afinal “propaganda é a alma do negócio”. E canoense, será que tem alma?


Uma cidade cortada, uma cidade abortada à força pelo capitalismo, uma cidade que ainda não se encontrou. Mas quase todos e todas se encontram nas estações de trem e paradas de ônibus. A cidade pulsa como o pêndulo de um relógio quando chega a hora do trabalho, multidões de canoenses acordam para sair de sua cidade e pegar carro, ônibus, trem, carona ou qualquer locomoção que te faça chegar ao trabalho. O Trensurb ali está como um dos maiores transportadores diário de mão-de-obra do Rio Grande do Sul. A força de trabalho canoense constrói tijolo a tijolo a riqueza da região, mas que não nos é devolvida. Bairros e vilas sem saneamento básico, sem postos de saúde, sem transporte de qualidade, sem regularização fundiária, fazem desta cidade um dormitório opressor e muito pouco tranqüilo.


A burguesia local e, principalmente, a burguesia porto-alegrense, precisa da mão-de-obra dos trabalhadores e das trabalhadoras canoenses para lucrar não só com a venda de suas mercadorias mas também com o arrocho do salário, garantido pela quantidade de desempregados e desempregadas que eles podem contar como reserva. São eles muitos de nossos parentes, amigos, amigas, vizinhos, vizinhas, conhecidos, conhecidas e inclusive nós mesmos, quando acordamos na cidade dormitório sem ter um emprego para ir. Uma cidade de trabalhadores e trabalhadoras informais, ambulantes, vendedores, vendedoras, camelôs, assaltantes e traficantes, que, de forma legal ou ilegal, mas com certeza precária, correm atrás do que o capitalismo lhes tirou ou nunca lhes deu: a sua dignidade.


Como se não ter comida, casa, saúde e emprego não fosse uma violência, o inconsciente coletivo das populações excluídas de nossa cidade responde da forma mais bárbara e violenta possível, em geral com o tráfico de drogas, com o roubo e a morte. O sistema, corrupto e capitalista, corrompe os canoenses e as canoenses, tornando a criminalidade e a marginalização uma forma mais fácil e acessível de obter condições materiais mínimas para a sobrevivência no dia-a-dia, mais fácil e rápido do que o estudo, a educação, o trabalho e a profissionalização. O sistema capitalista cria as condições materiais para a violência quando explora e empobrece grande parte da população, e cria as condições morais para a violência quando mendigos e crianças de rua olham na televisão muitos juízes, empresários e políticos corruptos roubarem o dinheiro do povo e nunca irem presos. Não é com o mesmo sorriso sarcástico que a sociedade fica quando Canoas faz presente seu “Exú” e responde à piada elitista e racista da “Mathiaca” com um alto índice de criminalidade e violência tornando este um dos municípios mais violentos do Estado.


Nos causa muita indignação: assistir a RBS transmitir a saída dos turistas de Porto Alegre “limpando os pés” e abastecendo seus carros em postos canoenses para irem em direção à elegante Serra Gaúcha enquanto nós não temos nem ônibus decente para poder transitar; ouvir o barulho de aviões que não podemos viajar; olhar tantos caminhões com tanta comida sendo transportada atravessando a cidade sem podermos direito nos alimentar; de enxergar a construção de prédios e bairros chiques enquanto vilas inteiras são criadas pelas “invasões” senão as pessoas não teriam onde morar; de chegar à noite e em Canoas não ter aonde ir, não ter o que fazer; viver em uma cidade onde não se incentiva nem se organiza a produção cultural; ver que nenhum governo municipal defende os moradores e as moradoras do município, compram votos de pessoas necessitadas ou alienadas para se reelegerem e só atendem aos interesses das elites ricas de toda a região.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Canoas na linha do trem do crescimento capitalista


Após passar pela divisão de terras das sesmarias em fazendas, sítios, chácaras, que serviam para muitos porto-alegrenses passarem as férias e os finais de semana, as linhas do primeiro trem de Maria Fumaça atravessam nossa cidade até São Leopoldo. Onde o trem parava, próximo à canoas aportadas usadas para o transporte local pelo banhados da Bacia do Rio dos Sinos, era a primeira estação desde a saída da capital da província de Rio Grande. Ali, o meio urbano do centro da futura cidade começa a crescer.


Após tornar-se um município independente passa a receber investimentos estratégicos para a Região Metropolitana, principalmente nas áreas de transporte (férreo, terrestre e aéreo) e combustíveis. Aumenta a divisão geográfica entre os que moram de um lado e do outro dos trilhos e passagens por onde são movidas as maiores riquezas do Rio Grande do Sul.


Indústrias instalam-se no município trazendo populações do interior. Canoas acompanha intensamente a mudança do Brasil de um país rural para um país urbano. O cercamento dos campos e a mecanização da agricultura leva populações inteiras a migrarem para as cidades próximas de grandes centros urbanos onde arrumar trabalho ou emprego seja menos difícil. Bairros operários e vilas de periferia vão sendo formadas. Riquezas passam por Canoas mas não ficam para o povo canoense. A vila pode inundar ou a água pode faltar, mas os trens, as rodovias e a pista aérea não podem estar interditados.


A “faixinha da base” era mais importante ser asfaltada do que as ruas onde nós moramos, assim como as ruas que davam acesso a muitas das principais indústrias. Asfalto para a BR-116 nunca faltou! Nem a construção de viadutos para o transporte rodoviário estadual e nacional.


Os canoenses e as canoenses que se ajeitem, se virem, para poder ir de um bairro ao outro de sua própria cidade tendo que passar por cima ou por baixo de viadutos sujos, cheios de fumaça e perigosos; fazendo contornos, dando retornos, subindo e descendo em passarelas distantes. Atravessar Canoas de bicicleta, hoje em dia, é mais fácil (apesar de ser perigoso!) do que de ônibus, pois tais linhas do transporte público nunca priorizaram a vida dos habitantes canoenses e sim o transporte das mercadorias pelo meio da cidade que dão lucro aos capitalistas e ás capitalistas desta cidade ou à burguesia estadual que se utiliza de nosso local de moradia para trafegar seus produtos prejudicando as condições de vida da população local.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Gilberto Maringone! Historiador do Psol Fala sobre o caso da Venezuela!!!

Derrota de Chávez em referendo é 'alerta', diz Gilberto Maringoni



Escrito por Mateus Alves
04-Dez-2007

Para comentar a derrota do governo venezuelano no plebiscito sobre as reformas constitucionais propostas por Hugo Chávez, o Correio da Cidadania conversa com o jornalista e historiador Gilberto Maringoni.

De acordo com Maringoni, autor do livro "A Venezuela que se inventa", o resultado das urnas na Venezuela é um alerta a Chávez para que haja uma reaproximação com setores moderados e um reparo nas insuficiências do processo de reformas iniciado com a chegada do presidente ao poder em 1999.

Correio da Cidadania: Qual você acredita ter sido o principal fator que levou Chávez à derrota no plebiscito sobre a reforma constitucional?

Gilberto Maringoni: Se olharmos os números, vemos que a oposição manteve a quantidade de votos conseguida nas eleições passadas. O que houve foi uma abstenção de quase metade do eleitorado; o surpreendente não foi a oposição ter ganho, mas sim o chavismo ter reduzido sua votação.

CC: Tamanha abstenção foi, então, a única causa da derrota? Por que tantos chavistas não compareceram às urnas?

GM: Segundo Chávez, essa foi a causa. O certo é que não foi a oposição quem ganhou, mas sim o governo quem perdeu. Claro que, ainda observando os números, houve uma vitória da oposição por uma pequena margem, mas não se pode ficar dizendo que "foi apenas por uma pequena margem" como maneira de amenizar a situação e resolver o problema.
Quando diz que a abstenção ganhou, Chávez passa um dado real, mas não diz qual é a causa disso. Ele não fala quais foram as razões que motivaram os seus apoiadores a não comparecer às urnas para aprovar a reforma constitucional, forçada por ele como se fosse uma espécie de plebiscito que o aprovasse.

Tais fatores são vários. Precisam ser procurados nas insuficiências de um processo que evoluiu bastante desde 1999, mas que ainda possui problemas. Como principais questões conjunturais, que aconteceram de um ano para cá, temos a certa "forçada de mão" que o governo e Chávez deram em alguns episódios.

O primeiro desses é a formação do PSUV, o Partido Socialista Unificado da Venezuela. É um partido criado de cima para baixo, que foi formado desta maneira pois não existem movimentos sociais autônomos na Venezuela. O partido tem 6 milhões de militantes, mas estes não compareceram às urnas – se o tivessem feito, as mudanças na Constituição teriam sido aprovadas. Há problemas na estruturação do partido e em sua participação no governo – Chávez diz que "quem está com ele está no PSUV".

O governo Chávez tem uma característica de não ter sido resultado de movimentos de massa, mas sim de um cansaço popular com o projeto neoliberal das décadas de 80 e 90 e da crise vivida no país que não resultou em um crescimento da mobilização popular.
Isso fez com que não houvesse movimentos autônomos. O que existe são iniciativas políticas populares tomadas pelo governo.

O grau de fragmentação da sociedade venezuelana resultante dos 40 anos de democracia do Pacto do Ponto Fijo, estabelecido em 1961, e da crise estrutural enfrentada no país durante os anos 1980 e 1990 criou uma sociedade com um potencial de rebeldia muito grande, mas de escassa organização.

CC: Desde que foi levado ao poder, em 1999, Chávez não foi capaz de aglutinar os descontentes no país?

GM: Ele conseguiu aglutinar de certa forma, mas se vemos organizações como a UNT, central sindical do país, trata-se de uma organização sem vida autônoma, sem muita expressão.
Isso faz com que as mobilizações no país sejam apenas de apoio a Chávez, como observamos durante o golpe de 2001 e em suas vitórias nas eleições.

CC: Quais outros motivos contribuíram para a ausência de chavistas nas urnas?

GM: As brigas que Chávez comprou, algumas delas bem difíceis, também contribuíram. Criticar a Igreja Católica, às vésperas do referendo, foi muito danoso à sua imagem; todos sabem que a Igreja venezuelana é golpista, conservadora, mas chamar os bispos na TV de "vagabundos" provoca sentimentos no povo que são complicados. Ele começou a brigar com aqueles que, toda semana, estão no púlpito falando diretamente com seus fiéis.

A não-renovação da RCTV - que embora em mérito Chávez tenha sido corretíssimo ao não permitir a continuação das transmissões pela emissora - foi uma decisão tomada de maneira pouco pedagógica para a população. O presidente tinha a prerrogativa legal para não renovar a concessão, mas não foi feito um grande debate nacional sobre a democratização das comunicações, não foi criado um método para tornar tal fato uma questão de formação política, que informasse à população o que é um monopólio, a razão pela qual não deveria ser renovada a concessão da RCTV e qual a razão pela qual a rede não poderia participar de um golpe de Estado e continuar impune.

Não sei se a melhor maneira deveria ter sido levar o caso à Justiça ou à Assembléia nacional, onde Chávez também ganharia por ter quase a totalidade das cadeiras. Fazer isso por um decreto é incômodo – como explicar para a população que ela não terá mais a sua novela? Além disso, a emissora colocada no ar é de muito baixa qualidade, é uma emissora oficial no pior sentido da palavra.

Essas batalhas foram complicadas. No caso da discussão com o rei da Espanha, Chávez estava certo, então não foi um problema. Porém, a briga com o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, veio em péssima hora; Chávez caiu em uma armadilha. De qualquer maneira, Uribe iria romper o diálogo com as FARCs, e o presidente venezuelano foi até condescendente demais ao levar a questão adiante. Uribe esperou para terminar o diálogo exatamente antes do referendo, procurando desgastar a imagem de Chávez.

Avaliações de colegas venezuelanos também dão conta de problemas internos do governo, de ineficiência de serviços públicos, questões administrativas. O fato é que essa derrota de Chávez não é o fim do mundo, mas sim um alerta. O presidente desfruta de uma popularidade igual a que tinha durante as últimas eleições, de algo em torno de 60%. O que aconteceu foi um desligamento dos setores moderados ou para o "não" ou para a abstenção.

Setores da intelectualidade que estavam com Chávez se abstiveram. Raúl Baduel, que faz parte de um setor chavista presente em várias situações nas quais o presidente precisou de apoio, resolveu puxar o freio de mão. É certo que havia divergências entre os dois, mas Baduel não é um opositor histórico, não é um golpista e não pode ser tratado como um traidor.

Há também um tratamento ruim dado pelo governo em relação ao movimento estudantil. O combate que se fez quando começaram as mobilizações foi falar que os estudantes eram "peões do império"; claro que havia manipulação, que havia estudantes filiados a partidos de direita, mas à massa que estava nas ruas não pode ser dado o mesmo tratamento que é dado aos dirigentes, pois têm um descontentamento difuso.

Além disso, a reforma constitucional foi mal conduzida, faltou debate. A proposta original de Chávez continha 35 itens a serem modificados, e a Assembléia Nacional agregou, desnecessariamente, outros 34. A proposta transformou-se em uma árvore de natal, complicada, e Chávez e a oposição forçaram que a consulta para a aprovação da reforma fosse um plebiscito sobre o próprio presidente.

Tais problemas, no entanto, não podem colocar em dúvida os aspectos positivos conquistados pelo governo na Venezuela. A própria direita está espantada com a situação, pois Chávez tem ainda cinco anos de governo pela frente e um poder de aglutinação imenso, sendo capaz de retificar todos os seus problemas para que não perca apoios importantes.

CC: Quais seriam esses aspectos positivos?

GM: Chávez tem feito um governo que, até aqui, mudou a face da América Latina. No essencial, o rumo do governo está correto, ao democratizar a sociedade, ampliar os poderes das camadas populares e da população indígena, reduzir a jornada de trabalho, acabar com a autonomia do Banco Central, proibir o latifúndio, fortalecer o Estado em seu caráter público, ao realizar as "missões" que serviram e servem de assistência a uma grande parcela da população venezuelana que sofria uma exclusão total.

O governo também colocou a questão social no centro da esfera de governo, algo que foi seguido por outros países na América Latina. Chávez mostrou também que é possível romper com o modelo neoliberal e distribuiu a riqueza do petróleo para a população, mesmo embora o Estado venezuelano ainda seja muito burocrático, muito corrompido, ineficiente.

A luta ideológica que faz também é de extrema ousadia. A Venezuela, um país pequeno, conseguir pautar as lutas na América Latina e servir de referência a outros países – não só Cuba, Bolívia e Equador, mas também a Argentina e o Brasil, por exemplo – é algo de extrema importância.

CC: A riqueza proveniente do petróleo torna tal tarefa mais fácil, não?

GM: Claro, com o barril de petróleo a 100 dólares, até você e eu faríamos a mesma coisa. Mas o fato de o petróleo estar valendo tanto se deu muito em função do próprio Chávez; é preciso lembrar que isso não aconteceu por mágica. Quando Hugo Chávez tomou posse, o custo do petróleo era de 9 dólares por barril, e a OPEP estava desarticulada. Em julho de 2000, o presidente convocou, em Caracas, uma reunião geral do cartel petrolífero, algo que não ocorria há mais de 30 anos; ali, a OPEP retomou a política de cotas, de restringir a produção para resguardar reservas e, assim, melhorar o preço de barganha.

Já no final de 2000, o petróleo estava a 22 dólares o barril. Houve, claro, um fator que estava além do controle de Chávez: o aumento brutal do consumo mundial, capitaneado pela China a partir de 2001.

CC: A questão da reeleição indefinida faz parte dos aspectos negativos da proposta de reforma constitucional?

GM: Isso não é um problema tão grande quanto a imprensa alardeia. É uma proposta dentro das regras democráticas, não é um golpe. A pauta da reeleição foi colocada na América Latina pela direita – Fernando Henrique Cardoso, que a critica, foi quem a iniciou no Brasil.
Há alguns regimes europeus atrasados, com reis, imperadores – muito mais atrasados que qualquer república de banana, pois mantêm uma dinastia com dinheiro público à toa –, onde primeiros-ministros ficam no poder enquanto têm apoio, como na Inglaterra. Chávez ficaria no poder enquanto tivesse apoio.

É importante dizer, também, que a Constituição brasileira, de 1988 para cá, sofreu mais de 50 mudanças votadas no Congresso – ou seja, reformas constitucionais qualificadas, feitas por governos neoliberais. Ninguém achou que isso era golpe, e foram feitas sem nenhuma consulta popular. As mudanças que Chávez tenta fazer foram levadas a um debate público, por meio de referendo. A direita precisa deixar de hipocrisia, pois ela nunca foi tão democrática quanto a Venezuela nos dias de hoje.

Como disse uma articulista da Folha de S. Paulo recentemente, Chávez, apesar da derrota nas urnas, ainda pode sair ganhando, pois o resultado da consulta prova que seu regime é democrático, que ele pode perder.

CC: As críticas da falta de democracia na Venezuela, então, são infundadas?

GM: O governo de Chávez é o melhor governo da América Latina, é extremamente avançado, e o presidente teve habilidade ao construir o seu governo.

Agora, trata-se de um governo muito pessoal. Se Chávez é assassinado, o processo venezuelano fica comprometido. Não se criou uma cultura chavista, mas sim uma cultura de agregados, de apoio popular difuso. Não existe um partido com um núcleo de elaboração política para o governo da Venezuela – aliás, a elaboração política e teórica do governo é muito pobre.

Hugo Chávez, porém, é um tático excepcional. Entre o que ele fez ao longo dos anos há coisas geniais. A maneira como dividiu a oposição na questão das telecomunicações ao fazer um acordo com Gustavo Cisneros é um ponto alto da tática política mundial histórica.

CC:Em face das estruturas políticas tradicionais que observamos em países em desenvolvimento, você acredita que lideranças carismáticas que flertam com o populismo são um dos caminhos possíveis para que se consigam mudanças?

GM: É errado dizer que Chávez flerta com o populismo; ele é, sim, um populista. Precisamos largar a teorização feita pela direita da ciência política e mesmo por pessoas de esquerda de que o populismo é um mal. O populismo não é uma escolha, é uma situação histórica dada.

No Brasil, durante os anos 30, época em que não havia uma cultura de instituições democráticas urbanas consolidadas e estávamos saindo da República Velha, do voto de bico de pena, o avanço que houve no país no campo econômico e a migração das pessoas do campo para a cidade não tinham nenhuma referência de convívio institucional. A referência era um líder carismático, Getúlio Vargas. Isso também aconteceu na Argentina e no México.

Na Venezuela, por conta da crise profunda vivida no final do século XX, as instituições existentes estavam virando fumaça. A única maneira existente de impedir que o país se auto-destruísse era a chegada ao poder de um líder carismático, populista. Não há nenhum problema nisso; existem, sim, componentes autoritários em um líder populista, mas, naquela situação, não havia alternativa.

Como não há movimento popular estruturado, uma das funções do líder populista foi cumprir o papel de solidificar essas pontas. Chávez é uma etapa histórica na construção de instituições democráticas sólidas, que espero que seja transitória.

É preciso tirar da cabeça que o populismo é uma coisa negativa. Mesmo chavistas dizem que o presidente não é populista, mas é sim. E isso não é uma coisa ruim. Quem diz que o populismo é ruim é a direita, até mesmo pelas características de fortalecer o lado popular da sociedade de um governo do tipo.

Um problema do qual lideranças populistas padecem é a sua incapacidade em organizar a sociedade. Isso faz com que não tenham substituto à altura. Para se manter no poder, tais líderes não podem ter competidores; na Venezuela é assim, não há substituto à altura de Chávez.

CC: Quais os rumos que você acredita que o governo de Chávez deverá tomar a partir de agora? Há mesmo essa possibilidade de o presidente sair fortalecido pois o resultado nas urnas reitera a democracia existente em seu governo?

GM: Inicialmente, o governo sairá enfraquecido. A direita, não só na Venezuela como também na Bolívia e no Equador, tentará se reanimar. Se o governo venezuelano conseguir resolver os seus problemas, reaglutinar suas bases, se reaproximar dos setores moderados que momentaneamente – espero – se afastaram de Chávez, pode se fortalecer, sim.

Chávez não deverá moderar os objetivos estratégicos do processo na Venezuela, mas sim aprimorar sua flexibilidade tática para conseguir conviver com diferenças internas. O país cresce a 10% ao ano, e é muito difícil Chávez cair com estes índices. Agora, se isso acontecer, será algo muito preocupante.

CC: Quais as diferenças principais entre o governo da Bolívia e o governo venezuelano?

GM: O governo de Evo Morales teve sua origem no movimento social, Morales era dirigente sindical, houve mobilizações impressionantes no país entre 2001 e 2004. Na Bolívia, diferentemente da Venezuela, existe uma mobilização popular – por isso a direita, lá, tem um grande problema. Não é um governo sem apoio.

CC: E quais as suas opiniões sobre as mudanças possíveis no Equador de Rafael Correa?

GM: Lá, temos um caso novo. Até agora, Correa venceu uma grande batalha ao conseguir convocar a Constituinte. O Equador tem problemas gravíssimos: não tem moeda própria, é um país pobre, que viveu intensas ebulições nos últimos anos. Elegeram um governo popular, que caiu e foi substituído por um governo de direita; agora, levaram outro presidente popular ao poder.

Parece-me, à distância, que a situação no país está tranqüila. Quando Rafael Correa for tocar em pontos nevrálgicos do sistema de dominação de classes, tudo pode se radicalizar; quando as propostas de reforma começarem a ser votadas, aí sim haverá enfrentamento.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Roberto Fisk! o Por que do Terror alienante e da luta pelo soberania nos paises islamicos!

História Viva - nov/2007

Artigos

edição 49 - Novembro 2007

Robert Fisk, o homem que ousou perguntar “por quê?”

Em entrevista exclusiva à História Viva, o correspondente do jornal inglês The Independent no Oriente Médio explica as raízes históricas da resistência islâmica que vê em Osama bin Laden uma inspiração contra o domínio das potências ocidentais

por Bruno Fiuza e Maíra Kubík Mano

Divulgação

Robert Fisk

Poucos ocidentais conhecem melhor o Oriente Médio do que o jornalista inglês Robert Fisk. Como correspondente internacional na região, entrevistou Osama bin Laden por três vezes e praticamente acompanhou o processo de formação da Al-Qaeda. Ao longo dos últimos 28 anos, o repórter foi testemunha ocular do processo histórico que levou a resistência dos povos árabes contra o domínio ocidental na região a transitar do nacionalismo dos anos 60 para o islamismo militante da década de 80. E ele até mesmo data esta virada: Fisk estava nas praias de Khalde, no Líbano, quando o Hezbollah realizou sua primeira ação armada contra tropas israelenses, em junho de 1982. Nesta entrevista, concedida à História Viva durante sua passagem pela Festa Literária Internacional de Parati, Fisk questiona o uso que os governos e a imprensa ocidental fazem da palavra “terrorismo” e explica as raízes históricas da emergência dos grupos armados islâmicos, que na sua opinião são uma resposta à incapacidade dos governos ocidentais de dialogar “com os verdadeiros representantes do povo daquela parte do mundo”.

Em primeiro lugar, como podemos definir terrorismo hoje?
“Terrorismo” hoje é uma palavra usada para eliminar toda a discussão a respeito dos motivos que levam os indivíduos a uma ação armada. Isso acontece, por exemplo, quando se analisa a questão do Oriente Médio sem discutir o papel dos Estados Unidos na região. É por isso que depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 publiquei um artigo no qual afirmava que “a única pergunta que não podemos fazer é ‘por quê?’”, pois fazer essa pergunta quer dizer que talvez haja um motivo que tenha levado à realização do atentado. O discurso oficial afirma que é “porque eles são maus, odeiam a democracia, etc.”, mas 19 assassinos eram árabes. Logo, deve haver uma relação entre o que acontece no Ocidente e a nossa política para o Oriente Médio, certo? A palavra “terrorismo” serve hoje para excluir qualquer explicação racional ou contextualizaçã o histórica dos fatos. Seu uso se tornou uma espécie de droga, e tem dois objetivos: o primeiro é eliminar toda a discussão sobre um assunto, e o segundo é assustar pessoas comuns. Assustadas, essas pessoas passam então a aceitar que seu governo adote medidas que, em essência, não são nem de direita, mas sim, de certa maneira, ditatoriais, e certamente contra os direitos humanos. Com isso, os governos podem fazer o que quiserem: eliminar a Convenção de Genebra, rasgar as garantias do Conselho de Segurança da ONU, permitir tortura, prisões subterrâneas, assassinato de prisioneiros, Guantanamo, etc.

Do modo como você coloca, o terror é um assunto de Estado, então?
Eu não uso a palavra “terrorismo” nos meus artigos ou nos meus livros, a não ser entre aspas. Eu não a uso porque é uma palavra totalmente desacreditada, ela já não tem mais nenhum significado. É um dispositivo utilizado para assustar as pessoas, para fazer com que elas acreditem que o Islã é nosso inimigo ou para impor novas leis que permitem prender uma pessoa por 90 dias sem direito a advogado. Esta é a primeira vez que uma guerra foi declarada a um substantivo abstrato – a “Guerra contra o Terror”. O que é o “terror”? Pode ser qualquer coisa. Essa idéia toda de “terror”, do meu ponto de vista, é uma armadilha. Usar a palavra em um contexto sério é uma armadilha. Se eu vejo uma revista ou um jornal com a palavra “terror” na capa simplesmente não compro, é lixo.

O que de fato é a Al-Qaeda? Quais são suas raízes históricas?
Para entender a Al-Qaeda é preciso ler história. Um dos problemas é que nem os governos e nem os jornalistas escutam o que Osama bin Laden e a Al-Qaeda dizem nas gravações que divulgam. Bin Laden fala da Declaração de Balfour (um documento secreto do governo britânico de 1917 que definia o plano de divisão dos territórios do Império Otomano ao final da Primeira Guerra Mundial); do Acordo Sykes-Picot de 1916, no qual França e Inglaterra dividiram o Oriente Médio; e fala em especial do Tratado de Sèvres, que acabaria com o Império Otomano, o último califado islâmico, em 1922. Ele sempre se refere aos fundamentos históricos do colapso do islamismo árabe, da perda do último califado e das conseqüências da Primeira Guerra Mundial. O que Bin Laden fez, originalmente, foi expor todas estas humilhações históricas. Muitos dos envolvidos com a Al-Qaeda são pessoas com um alto grau de instrução acadêmica, que entendem de história árabe. Acrescente a isso a obsessão pessoal de Bin Laden com a chegada das tropas americanas ao golfo Pérsico em 1990, quando o rei Fahd preferiu a ajuda dos americanos, e não dos mujahedins que lutaram no Afeganistão, para enfrentar Saddam Hussein. Para Bin Laden, a chegada dos americanos às duas cidades sagradas do mundo árabe – Meca e Medina – e a crescente presença das forças ocidentais é uma repetição de 1099 (ano da chegada dos cavaleiros da Primeira Cruzada a Jerusalém).

Como a Al-Qaeda funciona? Como foi o processo que levou à sua formação?
A Al-Qaeda, é um fenômeno único. Não há registro de filiação, não existe uma associação constituída, não há um financiamento regular. No começo, Bin Laden surgiu como uma inspiração. Os líderes árabes não diziam aquilo que o povo pensava. Quem fazia isso era Saddam, e é por isso que as pessoas gostavam dele. De repente aparece Bin Laden, um árabe falando de uma caverna, como o profeta Muhammad, expressando o que as pessoas pensavam. Inicialmente, a estrutura que ele criou funcionava como uma espécie de ONG: da mesma forma que uma organização quando quer construir uma rede de saneamento em uma vila remota na África se dirige a um governo para pedir recursos, alguns homens procuravam Bin Laden e associados pedindo, por exemplo, 6 mil dólares e dois especialistas em explosivos para atacar um navio no porto de Aden. Bin Laden dizia sim ou não. É como uma espécie de ONG, mas você não vai a um “quartel-general da Al-Qaeda”, como o Washington Post e a Fox News sugeriam. Mas o ponto é que hoje Bin Laden é totalmente irrelevante. Não importa o que ele diz. Ele pode morrer amanhã, tanto faz. O único meio de desativar a Al-Qaeda é tentar levar justiça para o Oriente Médio, mas nós não queremos isso. Queremos impor nossa posição na região. Para isso teremos que continuar lutando contra a Al-Qaeda, e alguns de nossos líderes vêem essa perspectiva com bons olhos!

Qual a diferença entre a Al-Qaeda e os outros grupos armados que atuam no Líbano, na Síria e na Palestina?
A guerra no Líbano é uma guerra entre os Estados Unidos e o Irã. O representante dos EUA é Israel e os representantes do Irã são a Síria e o Hezbollah. Em todo o Oriente Médio você tem vários grupos que acreditam que todas as tentativas de libertação da região e reconstrução do mundo islâmico falharam. O nacionalismo falhou. Todos estes grupos podem atuar com a ajuda dos serviços secretos sírios, com dinheiro do Irã ou dinheiro de quem quer que seja. Agora nós temos esta estranha “instituição" chamada Al-Qaeda, que é uma organização difusa.

O fato de a Al-Qaeda ser uma organização que não se identifica com um país específico representa uma mudança em relação aos outros grupos armados da região? De uma perspectiva histórica, qual foi o ponto de virada a partir do qual a luta baseada no nacionalismo árabe passou a ser baseada no islamismo?
Foi no dia 6 de junho de 1982, durante a invasão de Beirute pelas tropas israelenses, porque ali o nacionalismo árabe falhou, e o Hezbollah nasceu. Eu vi o primeiro ataque do Hezbollah nas praias de Khalde em 1982 contra um tanque israelense. Estava na praia e vi um grupo de milicianos com bandanas na cabeça. Pensei comigo mesmo: “Quem são estas pessoas? Não são palestinos”. Este foi o início do Hezbollah. Posteriormente eles mesmos disseram: “Esta foi a fundação, você tem o crédito, você estava lá, viu”... e muitos deles não viram! O Hezbollah tem a sua própria história e me citam: “Robert Fisk estava na praia de Khalde, ele viu o primeiro ataque”. E vi mesmo, vi os israelenses fugindo.

Então foi este o ponto de virada?
Para mim foi quando Arafat disse “que venham os israelenses”. Os israelenses vieram, ele não estava preparado para enfrentá-los e no final teve de fugir. Por fim, aquela Beirute símbolo do nacionalismo árabe foi ocupada pelos israelenses. O líder da Jihad Islâmica em Beirute, então, declarou: “Resistência!”, e foi assim que a resistência islâmica começou, tornando-se uma inspiração também para os palestinos. O ano de 1982 foi decisivo. Foi a primeira vez que os árabes deixaram de ter medo. Com todos aqueles aviões bombardeando Beirute ocidental e a população sendo aconselhada a deixar a cidade, me lembro do dia em que o proprietário do imóvel onde eu morava chegou da praia com uma sacola cheia de peixes e disse: “Temos como viver, não precisamos sair da cidade, temos peixes!”. Aquele foi o começo. A partir daquele momento a resistência passou a ser islâmica. Há 30 anos todos os inimigos do Ocidente no Oriente Médio – OLP, FDLP, FPLP – eram movimentos de esquerda, pró-URSS. Hoje, todos eles – Talebãs, mujahedins, Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica – são islâmicos. Não há mais nacionalismo.

Foi uma transformação ideológica?
Sim, foi uma transformação ideológica, porque continuamos pressionando cada vez mais. Esmagamos o nacionalismo e, de repente... Oh! Surge um novo monstro, muito maior, mais terrível, chamado “Islã”, ou “terrorismo islâmico”, ou qualquer que seja o nome. Se em algum ponto nós tivéssemos ponderado “ok, temos de lidar com estas pessoas” talvez pudéssemos falar de justiça. Não de democracia, mas de justiça. Eles adoram democracia, querem alguns pacotes de direitos humanos comuns nas prateleiras de nossos supermercados ocidentais, mas a democracia que eles querem é de outro tipo. Querem se ver livres de nós, mas essa liberdade nós não vamos dar ao Oriente Médio. Por que estamos no Iraque? Por causa do petróleo. Se o produto nacional do Iraque fosse aspargo ou batata os exércitos dos Estados Unidos e da Inglaterra não estariam lá.

Essa mudança teve alguma relação com a queda da União Soviética?
Claro que sim, mas ela teria ocorrido de qualquer forma. Os laços dos grupos árabes com a União Soviética eram fortes mas apenas no plano político. Quando Arafat estava cercado, em Beirute, pediu a Brezhnev que aviões russos fizessem uma entrega de armas na cidade. Não recebeu uma arma sequer. Portanto, não era tão bom assim ser amigo da União Soviética. Em última instância não foi isso que levou à transformação da resistência, foi o fato de que nós mantivemos a pressão e não negociamos com os verdadeiros representantes do povo daquela parte do mundo, e agora temos representantes ainda menos desejáveis. O que virá em seguida?



PARA SABER MAIS

A grande guerra pela civilização – A conquista do Oriente Médio. Robert Fisk. Planeta, 2007

O Capitalismo que explora e oprime Canoas


O Capitalismo que explora e oprime Canoas

Quem vive a cidade de Canoas muitas vezes já pode ter ouvido falar, presenciado ou vivido histórias e situações como estas: “Canoense é do bairro... é da vila.”, “Tem pouco ônibus para pegar e muitos saem da cidade prá se divertir, prá viver, só volta pra dormir, em Canoas não tem muita coisa...”, “...canoense é brigão, é marginal, invade terrenos e casas, pode te roubar e mora junto aos locais mais violentos, onde mais dá assaltos, roubos, mortes e tráfico de drogas no Rio Grande do Sul.” “Já me disseram que se chegar no presídio central é só dizer que é de Canoas que já tá mais tranqüilo...”.

Já viveram ou ouviram falar sobre estas histórias? Não queremos taxar nem rotular ninguém, mas por que a vida de uma cidade é normalmente contada e lembrada através de fatos negativos, dificuldades da vida, violências, situações de risco humano, situações de risco social, etc?

Mas tudo isso não tem nada haver com quem mora nos prédios altos e chiques da Avenida Brasil no centro da cidade nem no Jardim do Lago. E quem é que mora nas outras dezenas de vilas e bairros? Quem é de Canoas? O que é ser canoense? Quem construiu esta cidade? Quem faz desta cidade o que ela é? Quem lucra com isso? Quem empobrece com isso? Quem oprime o povo canoense? Quem é oprimido e quem é oprimida em Canoas? Quem quer libertar o povo desta cidade?

domingo, 2 de dezembro de 2007

Babá fala sobre o que aconteceu no Pará! A agressão da menina L.

Violação aos direitos humanos no Pará:

A Responsabilidade da governadora petista Ana Júlia Carepa
No depoimento prestado ao Conselho Tutelar de Abaetetuba no dia 14/11 acompanhada de um agente prisional e do delegado Fernando Cunha, a adolescente L.A. B relatou o verdadeiro inferno que passou aos estar presa por 30 dias, com 20 homens em uma única cela. “Eles diziam ‘tu vai ficar com fome? ’ Aí eu ia com eles. O melhor dia é quinta-feira, porque as mulheres deles vêm, e aí eu fico livre”. Situação absurda como essa não é fato único no Pará. Depois que o caso foi denunciado, pelo menos mais três casos de mulheres na mesma situação, em menos de 48 horas, vieram à tona.

A mais grave foi de uma jovem de 25 anos, em Parauapebas, município administrado pelo PT que permaneceu em cárcere com 70 homens durante 45 dias; soma-se a essa situação a do município de São João de Pirabas onde a presa Vanilza Barros foi colocada em outubro desse ano, com seis homens numa cela após negociar fazer massagem nos pés do Delegado Local, Carlos Pereira. Na mesma delegacia ainda em outubro, Raimunda Silvia dos Santos, 28 anos, também foi encontrada na mesma situação.

Do inicio do ano até o mês de outubro, a Divisão de Crimes Contra a Integridade da Mulher recebeu 8.869 denuncias de mulheres vitimas de violência domestica ou sexual somente em Belém. No entanto, poucos casos foram apurados, o que demonstra a falta de responsabilidade e a monstruosa política de desrespeito aos Direitos Humanos por parte do Governo do Estado do Pará, cuja governadora é a petista Ana Júlia Carepa.

A declaração de Márcia Soares – Subsecretária Adjunta de Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente, ligada à Secretária dos Direitos Humanos da Presidência da República de que a “política de misturar homens e mulheres no Estado é recorrente” e de que “as pessoas ligadas aos direitos humanos vinham fazendo denuncias, mas sem repercussão alguma” é o reconhecimento de que nada mudou com o Governo do PT/PMDB em relação aos 12 anos dos corruptos e truculentos governos dos tucanos responsáveis pela chacina de El Dorado dos Carajás.

A Governadora Ana Julia, diga-se de passagem, apoiada por Jader Barbalho com longa folha corrida na justiça brasileira devido a desvio de dinheiro público, e que “tolerou” durante os anos em que governou o Estado a prática de trabalho escravo nas fazendas de correligionários, declarou a imprensa nacional que “infelizmente, casos de mulheres presas em celas com homens existe mesmo”. Portanto está certa a jornalista e cientista política Lúcia Hipólito ao afirmar que “se a governadora já tinha conhecimento do ilícito e não tomou providência para impedir que voltasse a acontecer, ela incorreu em crime de responsabilidade, que é mais do que suficientemente para servir de base para o pedido de impeachment.”.

A governadora petista, em recente nota publicada nos principais jornais do país afirma “que em nenhuma situação tolerará violações aos direitos humanos, sejam cometidos dentro ou fora de órgãos administrativos” . No entanto, esta afirmação não corresponde à realidade vivenciada no Estado. Que o digam os mais de 100 presos no processo de desocupação da Fazenda Forquilha ocupada por trabalhadores rurais no município de Santa Maria das Barreiras no Sul do Pará. No dia 19/11 sob o nome de uma operação denominada “Paz no Campo”, foram cometidos todo tipo de atropelos aos direitos humanos, como espancamentos, socos, pauladas, ripadas, chutes, afogamentos e tentativa de asfixia com saco plástico, tudo bem ao estilo do filme Tropa de Elite.
Esta ação foi denunciada pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAGRI) e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Redenção, sem que até agora nenhuma providência fosse tomada; ao contrário os que ainda continuam presos estão sendo denunciados em uma campanha difamatória oficial por formação de quadrilha.

A Governadora Ana Júlia não só desrespeita os direitos humanos: ela alimentou esse desrespeito quando ao assumir o governo criou a ROTAM, extinta PATAM (Policiamento Tático Metropolitano) denunciada pela Anistia Internacional como uma das polícias mais violentas do Brasil em sua responsabilidade por conter supostos “distúrbios sociais”. É a Rotam que tem reprimido as ocupações urbanas e a luta pelo direito a moradia na região metropolitana de Belém; as greves de servidores públicos, rodoviários e operários da Construção Civil. É a Rotam que tem fechado bairros inteiros de Belém, igualando cidadãos comuns e honestos a criminosos e a bandidos.

O Pará que lidera a macabra estatística nacional de assassinatos de trabalhadores rurais e trabalho escravo e vê crescer de forma alarmante, diga-se de passagem por falta de uma política séria de geração de emprego e renda, a prostituição infanto-juvenil e o trafico de mulheres, não pode continuar tratando seus problemas sociais com repressão e violações aos direitos humanos. “Garantir Tranqüilidade de todos e todas no campo e na cidade, com profundo respeito aos direitos humanos” como afirmou a Governadora em apressada visita ao Presidente Lula para solicitar verbas não pode ficar só no discurso ou na construção de alguma unidade penitenciária. É urgente organizar os setores democráticos da sociedade, os trabalhadores do campo e da cidade e suas entidades, os estudantes, os profissionais, os setores populares, os familiares das vítimas, para organizar uma poderosa mobilização social e exigir a investigação até as ultimas conseqüências assim como a punição dos responsáveis destas brutais violações aos direitos humanos.

Os problemas do Pará são parte e o reflexo dos problemas do país em que vivemos; o Governo do Pará é a cópia manchada de sangue da falta de compromisso com os de baixo e da traição promovida pelo PT ao chegar ao governo.

Babá – é ex. Deputado Federal e membro da Executiva Nacional do PSOL.
Douglas Diniz – Secretário Geral do PSOL Pará

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

França e os distubios locais!! Que lembram bem o Brasil!!

Sarkozy e Lula: tão longe, tão perto Escrito por Fernando
"Tostão" Silva

A França voltou a ser sacudida neste mês de novembro por uma série de greves de trabalhadores do setor de transportes, do serviço público e dos estudantes. Reforma da Previdência, ataques a universidade pública, restrições a direitos salariais e sociais, precarização do emprego na juventude. O reacionário Sarkozy, com o aval da burguesia e da pequena burguesia francesa e dos governos da comunidade européia, tenta impor a agenda do Estado neoliberal, da hegemonia de um capitalismo financeirizado ao extremo e que continua dando as cartas.

Uma agenda de medidas e reformas iguais àquelas que nos atormentam aqui, do lado de cá do Oceano Atlântico, desde os idos dos anos 90, da era FHC, e que se manteve impávida sob o governo Lula. Ainda não deixa de ser um pouco chocante observar que um governo oriundo do movimento operário e popular, de um país dependente e tão espoliado na sua história, tenha os mesmos pilares de política econômica e de agenda de contra-reformas neoliberais de um governo de um país capitalista central, como a França, liderado por um representante de uma burguesia profundamente anti-popular, cada vez mais racista, cada vez mais divorciada e avessa a qualquer vestígio de um distante passado iluminista. Mas cá como lá, o ano que deu início ao 2º mandato do governo Lula vai se encerrando com os mesmos traços dessa política econômica e com desdobramentos perversos para 2008.

Exceção feita, grosso modo, ao tema da CPMF que envolve a questão tributária, uma reforma cuja negociação não está resolvida na classe dominante e na sua relação com o Estado e os governos, o tom do grande capital é de apoio à política econômica global do governo federal e sua agenda de contra-reformas.

É preciso destacar que a retomada de emprego formal na economia brasileira não foge a essa lógica de uma política global neoliberal e anti-popular. Pois há uma ampla extensão da terceirização e precarização de salários e direitos, mesmo nos novos empregos de carteira assinada, que em geral já surgem sob grande patamar de arrocho salarial. As amplas terceirizações em setores de ponta da economia, como, por exemplo, telecomunicaçõ es, reduziram em até dois terços os salários dos trabalhadores (as) deste setor em relação às mesmas funções quando estes serviços eram controlados pelo Estado.

E assim como Sarkozy, o governo brasileiro não mostra qualquer disposição em recuar dessa agenda. A insensibilidade do governo Lula diante de qualquer pressão ou debate do movimento popular é estarrecedora. Vejamos alguns exemplos: Em relação ao impasse da reforma agrária que não veio e das legítimas e desesperadas ocupações de terra, o governo e o grande capital respondem com o etanol, com o aumento da super-exploraçã o do trabalho na indústria de cana, e, por fim, para não ficar dúvidas nesse terreno, com a promoção de um usineiro como novo ministro das Relações Institucionais.

Diante do esmagador rechaço dos 4 mil participantes da Conferência Nacional da Saúde ao Projeto das Fundações na Saúde, o ministro José Gomes Temporão disse, com todas as letras em jornais e TVs, que “é zero a chance de o governo recuar deste projeto”. Os estudantes fazem greves, ocupam reitorias contra o REUNI; docentes, servidores e renomados intelectuais ligados à comunidade universitária fazem inúmeros apelos, alertas e manifestações contra o desmonte e a mercantilizaçã o da universidade pública; o governo responde com aprovações sumárias do seu projeto, com o aval de reitorias comprometidas, sem debates, quase que na calada da noite.

E diante das dificuldades do Fórum Nacional da Previdência Social em apresentar um projeto de consenso para a nova reforma previdenciária, o governo já sinaliza que não vai passar vontade: vai apresentar diretamente o seu projeto ao Congresso Nacional. Lula e seu governo não têm nada a aprender com Sarkozy.

Para os trabalhadores e movimentos sociais brasileiros, que não se dobram a essa agenda - tal como fazem os milhares e milhares de companheiros (as) da classe trabalhadora do lado de lá do Oceano -, será importante continuar tentando construir as condições para uma forte resistência unificada, capaz de deter essa ofensiva do Capital, que ainda não está concluída no nosso país.

Fernando "Tostão" Silva é jornalista, membro do Diretório Nacional do PSOL e do conselho editorial da revista Debate Socialista.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A venezuela esta sendo atacada

MANIFESTO
Ante o referendo constitucional e a tentiva de desestabilizaçã o na Venezuela

A Venezuela tem suportado, durante os últimos anos, a pressão das potências imperialistas, a perseguição midiática dos grandes meios de comunicação e as tentativas de golpe. Tanto numa como em outra situação, os setores oligárquicos têm sido derrotados pela classe trabalhadora e pelo povo pobre venezuelano, nas ruas e nas urnas, com uma dignidade que é exemplo não só para o resto do continente, mas para o resto do mundo.

A reforma da Constituição bolivariana, estejamos ou não de acordo com cada um de seus pontos, é, em seu conjunto, uma reforma que oferece a possibilidade de aprofundar o processo revolucionário. A proibição do latifúndio e dos monopólios, o reconhecimento dos conselhos populares como parte do poder público, a eliminação da autonomia do Banco Central, o direito de voto aos 16 anos, a promoção de atividades econômicas sob os princípios da economia socialista, a diminuição da jornada de trabalho semanal de 40 horas para 36 horas, entre outras, são medidas de profundo caráter anti-neoliberal e anti-imperialista. Mas, sobretudo, é uma reforma que deve ser ratificada no referendo, em mais um exercício de soberania popular.

A grande burguesia e a direita pró-imperialista, dividida entre a posição de abstenção e o apoio ao NÃO, continuam tendo o poder econômico, o financiamento e a conivência do imperialismo estadunidense e europeu. Mais recentemente, o general Baduel , ex-ministro de defesa do governo venezuelano, somou-se a esses setores manifestando sua rejeição à reforma, através de entrevista à imprensa. Todos eles se
atemorizam com as mudanças propostas na reforma constitucional. Tentam, por isso, minar sua aprovação, desestabilizando o país para que o referendo ou não aconteça, ou se realize sob coerção. Sem dúvida, utilizarão todos os métodos possíveis e contarão com o apoio de todos os grandes meios de comunicação. Devemos estar preparados para isso porque a aprovação da reforma, com um amplo respaldo, seria uma nova e dura derrota moral para os que, há muitos anos, têm medo de perder ou não poder restaurar seus privilégios.
Não temos dúvidas de que o aprofundamento do processo bolivariano, e sua extensão para outros países latinoamericanos, serão as melhores garantias da derrota do imperialismo e de seus planos golpistas. Estamos convencidos de que o povo venezuelano voltará a triunfar sobre aqueles que lhes negam sua liberdade. Fará isso outra vez em 2007, como fez em Abril de 2002 ou como fez na paralisação petroleira e patronal.
Por isso, solicitamos ao mundo do trabalho, à juventude e ao conjunto dos movimentos sociais e da esquerda, o apoio ao “SIM” no referendo constitucional e a mais ampla solidariedade com o povo venezuelano, que avança rumo à revolução bolivariana na perspectiva de construir o socialismo do século XXI.

*** Enviar assinaturas (com nome, sobrenome e país) para venezuelasolidarida d@yahoo.com

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Greve de fome do estudantes!!

Estudantes da UFBa em greve de fome contra a criminalização do movimento estudantil!!

Ontem, 21, seis estudantes da UFBa entraram em greve de fome contra a criminalização do movimento estudantil. Reunidos na frente da reitoria, os estudantes da UFBa acamparam e colocaram faixas contra as ameaças de jubilamento aos estudantes que foram presos e outros que ocuparam a reitoria.

Em luta por maior assistência estudantil, por uma universidade publica, laica, gratuita, democrática, popular e de qualidade e contra o REUNI, os estudantes da UFBa vem se manifestando e ocuparam a reitoria por 46 dias.

Após a reintegração de posse com ação policial truculenta e arbitrária, os estudantes foram vitimas de mais uma opressão da reitoria da universidade. Com seguidas ameças de ação administrativas e jubilamento aos estudantes, um grupo de seis pessoas decidiram entrar em greve de fome por tempo inderteminado.

Os estudantes grevistas e outros apoiadores farão vigília amanha em frente da reitoria por todo o dia e preparam atos de repúdio à criminalização do movimento estudantil.

Comissão de comunicação

Debate Aberto! Frase desrepeitosa e contra a legitimidade do presidente da Venezuela!!

¿Porqué no te callas?

Não se imagina um chefe de Estado europeu dirigir-se nesses termos publicamente a um colega europeu quaisquer que fossem as razões do primeiro para reagir às considerações do último. Esta frase é reveladora em diferentes níveis.

Boaventura de Sousa Santos

Esta frase, pronunciada pelo Rei de Espanha dirigindo-se ao Presidente Hugo Chávez durante a XVII Cúpula Iberoamericana realizada no Chile, no dia 10 de Novembro, corre o risco de ficar na história das relações internacionais como um símbolo cruelmente revelador das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colônias. De fato, não se imagina um chefe de Estado europeu dirigir-se nesses termos publicamente a um colega europeu quaisquer que fossem as razões do primeiro para reagir às considerações do último. Como qualquer frase que intervém no presente a partir de uma história longa e não resolvida, esta frase é reveladora em diferentes níveis.

Ela revela, em primeiro lugar, a dualidade de critérios na avaliação do que é ou não democrático. Está documentado o envolvimento do primeiro-ministro de Espanha de então, José Maria Aznar, no golpe de Estado que em 2002 tentou depor um presidente democraticamente eleito, Hugo Chávez. Porque, naquela altura, a Espanha presidia à União Européia, esta última não pode sequer clamar total inocência. Para Chávez, Aznar ao atuar desta forma, comportou-se como um fascista. Pode questionar-se a adequação deste epíteto. Mas haverá tanta razão para defender as credenciais democráticas de Aznar, como fez pateticamente Zapatero, sem sequer denunciar o carácter antidemocrático desta ingerência?

Haveria lugar à mesma veemente defesa se o presidente eleito de um país europeu colaborasse num golpe de Estado para depor outro presidente europeu eleito? Mas a dualidade de critérios tem ainda uma outra vertente: a da avaliação dos fatores externos que interferem no desenvolvimento dos países. Num dos primeiros discursos da Cúpula, Zapatero criticou aqueles que invocam fatores externos para encobrir a sua incapacidade de desenvolver os países. Era uma alusão a Chavez e à sua crítica do imperialismo norte-americano.

Pode criticar-se os excessos de linguagem de Chávez, mas não é possível fazer esta afirmação no Chile sem ter presente que ali, há trinta e quatro anos, um presidente democraticamente eleito, Salvador Allende, foi deposto e assassinado por um golpe de Estado orquestrado pela CIA e por Henry Kissinger. Tão pouco é possível fazê-lo sem ter presente que atualmente a CIA tem em curso as mesmas táticas usando o mesmo tipo de organizações da “sociedade civil” para destabilizar a democracia venezuelana.

Tanto Zapatero como o Rei ficaram particularmente agastados pelas críticas às empresas multinacionais espanholas (busca desenfreada de lucros e interferência na vida política dos países), feitas, em diferentes tons, pelos presidentes da Venezuela, Nicarágua, Equador, Bolívia e Argentina. Ou seja, os presidentes legítimos das ex-colônias foram mandados calar mas, de fato, não se calaram. Esta recusa significa que estamos a entrar num novo período histórico, o período pós-colonial, teorizado, entre outros, por José Marti, Gandhi, Franz Fanon e Amilcar Cabral e cujas primicias políticas se devem a grandes lideres africanos como Kwame Nkrumah. Será um período longo e caracterizar- se-á pela afirmação mais vigorosa na vida internacional dos países que se libertaram do colonialismo europeu, assente na recusa das dominações neocoloniais que persistiram para além do fim do colonialismo.

Isto explica porque é que a frase do Rei de Espanha, destinada a isolar Chávez, foi um tiro que saiu pela culatra. Pela mesma razão se explicam os sucessivos fracassos da União Européia para isolar Roberto Mugabe.
Mas “¿porqué no te callas?” é ainda reveladora em outros níveis. Saliento três. Primeiro, a desorientação da esquerda européia, simbolizada pela indignação oca de Zapatero, incapaz de dar qualquer uso credível à palavra “socialismo” e tentando desacreditar aqueles que o fazem. Pode questionar-se o “socialismo do século XXI” - eu próprio tenho reservas e preocupações em relação a alguns desenvolvimentos recentes na Venezuela - mas a esquerda européia deverá ter a humildade para reaprender, com a ajuda das esquerdas latinoamericanas, a pensar em futuros pós-capitalistas.

Segundo, a frase espontânea do Rei de Espanha, seguida do ato insolente de abandonar a sala, mostrou que a monarquia espanhola pertence mais ao passado da Espanha que ao seu futuro. Se, como escreveu o editorialista de El País, o Rei desempenhou o seu papel, é precisamente este papel que mais e mais espanhóis põem em causa, ao advogarem o fim da monarquia, afinal uma herança imposta pelo franquismo. Terceiro, onde estiveram Portugal e o Brasil nesta Cúpula? Ao mandar calar Chávez, o Rei falou em família. O Brasil e Portugal são parte dela?

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

"Por que não te calas já?!"

Laerte Braga


Juan Carlos Bourbon investiu-se dos poderes de colonizador e perguntou ao presidente da Venezuela por que ele não se calava? Chávez fez críticas à Espanha na reunião de países ibero americanos. Acusou empresas espanholas de negócios escusos, o ex-primeiro ministro Jose Maria Aznar de "fascista" e de participação no golpe de 2002 que tentou derrubar o venezuelano e, lógico, a GLOBO aqui editou a discussão entre o rei e o presidente (eleito pelo voto popular) não mostrando a resposta de Chávez.

Daniel Ortega, presidente sandinista da Nicarágua havia feito críticas a empresas espanholas que atuam em seu país momentos antes. Ortega denunciou a reunião do embaixador da Espanha em seu país, em Manágua, dias antes das eleições, na tentativa de mobilizar forças para evitar sua vitória. Disse com todas as letras que vitorioso, recebeu proposta de suborno de empresas espanholas que operam na Nicarágua.

O presidente sandinista acusou a Espanha de permitir que os Estados Unidos usem bases militares espanholas para operações contra povos de outros países e citou o exemplo do bombardeio contra a casa de Kadafhi, na Líbia. O presidente líbio escapou, mas seus filhos morreram no bombardeio.

O presidente da Argentina, Nestor Kirchnner acusou a Espanha de práticas colonialistas e denunciou a ação predatória de empresas espanholas na Argentina. O presidente Evo Morales, da Bolívia, reclamou de pressões do governo espanhol para ceder favores a empresas espanholas. Rafael Corrêa do Equador fez denúncias semelhantes.

Chávez secundou e ratificou todas as acusações, saiu em defesa dos presidentes dos países da América Latina e respondeu ao rei que "não temo o senhor, fui eleito pelo meu povo e não permitirei que se repitam as matanças históricas da época da colonização, praticadas pelo seu país".

A acusação a Aznar, chamado de fascista foi simples e direta: "Aznar é um fascista". Dois países reconheceram o golpe tentado contra Chávez em abril de 2002. Espanha e Estados Unidos. Aznar governava a Espanha.

A derrota eleitoral do candidato de Aznar para o atual primeiro-ministro espanhol Zapatero se deveu à mentira de Aznar a propósito de um atentado do grupo separatista basco ETA, em território espanhol, dois ou três dias antes do pleito. Aznar, que havia enviado tropas espanholas para o Iraque (foram retiradas por Zapatero) tentou inculpar a Al Qaeda e a Espanha inteira percebeu que estava diante de uma cilada, uma tentativa de atrelar o país ao império norte-americano. Uma simples consulta a jornais espanhóis da época vai revelar que os votos que deram a vitória ao Partido Socialista (?) de Zapatero vieram da mentira de Aznar.

Um ano após a derrota de seu candidato para Zapatero, Aznar foi acusado, pela imprensa norte-americana, de receber dinheiro da CIA (Agência Central de Inteligência) norte-americana, para uma organização (fundação ou ONG) que montara e que desenvolvia ações golpistas em países de língua espanhola a favor dos interesses de empresas privadas e dos EUA.

Uma reunião como a que aconteceu no Chile se presta a que debates desse jaez aconteçam. Se Chávez reagiu de forma histriônica ou não, isso é outro problema. Com toda certeza um Chávez vale milhões de vezes mais que um Juan Carlos. Franquista (uma das mais cruéis ditaduras da história do século XX) e sabidamente de extrema-direita.

Só para se ter uma idéia pálida de como atuam os empresários espanhóis em países da América Latina, basta recordar o naufrágio do Bateau Mouche, num reveillon, há alguns anos atrás no Brasil. Como os donos da empresa fossem espanhóis, a embaixada do país entrou em ação e pressionou as autoridades brasileiras para que tudo ficasse em mero jogo de cena. Fatalidade. O descuido e a característica criminosa do fato (barco inadequado, sem manutenção, super lotado) não contavam para o embaixador e o governo da Espanha.

Todos os espanhóis envolvidos no naufrágio estão em liberdade e nenhuma família dos mortos foi indenizada como determinado na lei. Um deles, Chico Recarey freqüentava colunas sociais, era tido como rei da noite, dono de pontos de prostituição (boate Help em Copacabana, esquina de rua Miguel Lemos e avenida Atlântica). Era um deles, um dos espanhóis.

Juan Carlos, fascista como Aznar, ambos estão acostumados a terem tapetes vermelhos estendidos por presidentes latino-americanos fracos ou corruptos quando chegam para a velha história de trocar apito com os "índios" locais. Neste momento não conseguem. Nem com Chávez. Nem com Ortega. Nem com Morales. Muito menos com Corrêa e menos ainda com Kirchnner.

O rei da Espanha hoje é só vitrine dos negócios de empresas espanholas, imagem construída por essa estranha e doentia fascinação das elites por condes, marqueses, duques, etc. Nada além disso.

O que a mídia fez foi aproveitar, editar, mutilar os fatos, apresentá-los como convinha e convém aos interesses dos espanhóis, tudo dentro de um processo visível de tentativa de derrubar o presidente da Venezuela.

São "negócios" de bucaneiros, piratas, saqueadores.

A explosão de Juan Carlos Bourbon se deve também, vários jornalistas presentes ao encontro revelaram isso a seus jornais, inclusive jornais norte-americanos, às manifestações de apoio a Chávez. O venezuelano foi seguido enquanto esteve no Chile por um cortejo de chilenos a ovacioná-lo. O rei está acostumado a "dar a bênção real" aos antigos colonos (acredita que ainda seja assim) e não gostou de ficar em segundo plano.

Zapatero? Malgrado os méritos de seu governo, retirou as tropas espanholas do Iraque, já foi enquadrado e apenas suaviza o chicote e o pelourinho herdado de Pizarro e Cortez.

É bom nunca se esquecer que uma das maiores matanças da história da América do Sul foi praticada por espanhóis contra o povo Inca. Está em todas as páginas, de todos os livros de história.

Vale lembrar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo sobre o período em que os mouros ocuparam a Espanha: "nunca destruíram nada e quando saíram todos os monumentos históricos estavam intatos, ao contrário dos cristãos quando ocuparam países árabes: destruíram o que puderam para implantar a verdade cristã".

Os leiloeiros de New York estão cheio de peças saqueadas do Museu do Iraque, o Museu Babilônico, desde a ocupação daquele país pelos norte-americanos.

O rei da Espanha é tão somente um bibelô a exibir-se na esteira dos "grandes negócios" dos empresários de seu país.

Nem rei mais se faz como antigamente. Deve ter pensado que estava se dirigindo a um dos seus súditos quando mandou Chávez calar. Recebeu a resposta devida e a altura.

Se a GLOBO não mostrou é por que a GLOBO, como a grande mídia no País, está a serviço do capital internacional e das máfias que controlam os "negócios".

Está aí o genro de FHC estrebuchando porque a PETROBRAS removeu as licitações de prospecção na bacia de Santos e vai ela própria tomar conta da reserva recém descoberta. O sacripanta, sem nenhum caráter, está defendendo empresas estrangeiras. Pensa também que o presidente da República ainda é o ex-sogro, ambos corruptos e venais.

Isso também a GLOBO não vai falar, as empresas estrangeiras são grandes anunciantes.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Resultaldo do DCE da UFRGS!!!

Mantendo a lógica novamente o DCE da UFRGS ficou nas mãos dos lutadores do PSol que fazem parte junto aos independentes
que compõem esse DCE de luta e representa a integração das comunidades a Universidade pública e popular!

Mantida a trincheira de Luta

Primeiros informes parciais sobre a eleição do DCE da UFRGS

A todos(as) lutadores(as) que estavam preocupados com as eleições ao DCE da UFRGS, em que se encontravam em disputa não apenas uma entidade estudantil, mas duas visões de mundo, uma que busca a pluralidade, a diversidade, a construção de uma universidade popular e pública e outra visão, que propagandeou uma visão excludente, de uma universidade elitizada, e em alguns momentos racistas. Gostaríamos de anunciar que já apurados as urnas dos Campus do centro e da saúde, em que a chapa 3 (de direita) tinha as melhores possibilidades de vitória, nós da chapa 1 “Todos Iguais braços dados ou não”, terminamos a apuração com 633 votos a frente destes, ou seja, ganhamos deles inclusive onde eles eram mais forte. Resta agora serem apuradas as urnas no Campus do Vale e dos envelopes, em que teremos maioria.
Podemos divulgar a partir de agora que a trincheira de luta desenvolvida pelo DCE da UFRGS nestes últimos anos e que encaminhou lutas importantes para a universidade e seus estudantes está mantida.

Vitória da esquerda e do anseio de milhares de estudantes que não desistiram de democratizar e popularizar o acesso ao ensino, assim como um voto contra a intolerância racial, tão difundida em nossos dias com o retorno de grupos neo-nazistas ao cenário político internacional, e que vimos em nossa universidade, se fantasiarem de ares democráticos para esconderem seus verdadeiros interesses de privatização do ensino e segregação racial.

Beliza Stasinski Lopes
Mário San Segundo


"Não estamos perdidos.
Pelo contrário, venceremos se
não tivermos desaprendido a aprender."
Rosa Luxemburgo

RESultados

Na maior eleição para o DCE da UFRGS dos últimos tempos, com polêmicas como as cotas raciais e socias, com a luta contra o preconceito e a intolerância, estudantes ligados ao neonazismo em uma chapa ligada aos partidos de direita, a chapa 1 Todos Iguais, Braços Dados ou Não foi eleita com 55,3%.
Nenhum outro projeto para os estudantes da UFRGS foi eleito quatro vezes consecutiva na história do movimento estudantil da Universidade.
Para nós, integrantes desta chapa, é um imenso orgulho e muita alegria termos sido eleitos para vencermos a batalha que estará posta em 2008 contra o racismo que já se expressa atualmente e, ao que tudo indica, se acentuará com a entrada dos primeiros cotistas de escola pública e autodeclarados negros.
A Universidade Pública terá mais um ano um DCE que lute pela sua popularização.
Uma mostra de que os estudantes de todo os cantos do país estão rechaçando a burocracia e o retrocesso dos DCEs, como vimos nas recentes vitórias de chapas comprometidas com a Educação Superior Pública e de Qualidade, como a UFSC, UFPR, UEM, UFRJ, UFMG.
Mandamos nosso apoio aos colegas da USP protagonistas da maior luta estudantil desde o Fora Collor para juntos decidirmos os rumos do nosso país, para que retomem para a luta o DCE da maior Universidade Pública do país.
CHAPA 1 – "Todos Iguais, Braços dados ou não" 2752 votos - 55,3%

CHAPA 2 – "Quem vem com tudo não cansa" - 195 votos 3,9 %

CHAPA 3 – "DCE Livre" - 1575 votos 31,6%

CHAPA 4 – "Roda Viva" - 452 votos- 9,2 %

B/N – 68 VOTOS

TOTAL DE VOTOS – 5042 VOTOS
Um grande abraço a todos e todas
Rodolfo Mohr
Coordenador Geral DCE/UFRGS - Gestão Todos Iguais, Braços Dados ou Não!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Desocupação violenta de Reitorias!!

DESOCUPAÇÃO MANU MILITARI REIVINDICADA PELO REITOR DA UFBa: UMA AMEAÇA A TODAS AS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
Roberto Leher (FEUFRJ)
Em um contexto muito distinto, pois as proporções da ocupação estudantil eram incomensuravelmente maiores, Albert Einstein ligou para seu amigo, Max Born, igualmente um grande físico, Nobel de 1954, para expressar sua preocupação com o fato de que um grupo de estudantes revolucionários tinha ocupado a Universidade de Berlim, por ocasião do final da I Guerra Mundial, e prendido o reitor e alguns professores. Mesmo estando os estudantes armados – o confronto militar ainda não havia cessado inteiramente – Einstein não hesitou em se dirigir à universidade para dialogar com os jovens. Por sua respeitabilidade como professor e cientista, ele pôde entrar na universidade ocupada, defender o valor da liberdade acadêmica e, a seguir, intermediar as negociações com o presidente recém eleito, Friedrich Ebert, solucionando o conflito sem repressão e arrogância.

Quase 90 anos após este episódio, por ordem do reitor da UFBa, na data comemorativa da proclamação da "República" , ao raiar do dia, a Polícia Federal invadiu a Reitoria ocupada por estudantes há 46 dias, usando da força, levando estudantes de camburão para a Polícia Federal e despejando seus utensílios como se fossem lixo. Considerando o contraste com a postura de Einstein, não surpreenderá se o reitor abrir um processo interno para jubiliar os jovens que estavam ocupando um espaço público para reivindicar o debate democrático sobre um projeto de reestruturação da universidade. Por imposição do MEC e aquiescência do reitor com o ato heterônomo do governo, o referido projeto foi votado a toque de caixa, sem real discussão com a comunidade acadêmica, via-de-regra em sessões que violaram os valores acadêmicos mais estruturantes da instituição universitária, como o esclarecimento, o diálogo entre os pontos de vista divergentes e a publicidade dos atos nos colegiados universitários.

Tive o privilégio de ter sido convidado para uma conversa informal com os estudantes na ocupação, quatro dias antes da repressão Federal, por ocasião do III Encontro de Educação e Marxismo, realizado na UFBa, no qual faria uma fala no dia seguinte. Em pleno domingo, e ao mesmo tempo em que a duas quadras estava sendo realizado um show conjunto Titãs - Paralamas do Sucesso, cerca de 70 jovens optaram por discutir questões mais profundas da universidade: a sua função social, a autonomia universitária, as consequências da mercantilização e da conversão das universidades federais brasileiras em organizações de ensino terciárias, nos termos bancomundialistas e do projeto Universidade Nova/REUNI.

A abertura da conversa foi a partir de um criativo ato teatral inspirado no teatro do oprimido. A prosa teve como eixo a relevância das lutas estudantis de Córdoba – realizadas no mesmo ano em que Einstein corajosamente defendeu o ethos acadêmico sobre a força policial-militar (1918) – para a reforma das universidades latino-americanas, contra o dogmatismo das oligarquias, das igrejas, dos catedráticos avessos à pesquisa e à docência e em defesa da liberdade de cátedra, da indissociabilidade entre o ensino e a pesquisa, do governo compartilhado, do livre acesso dos jovens à universidade e do compromisso das universidades com os grandes problemas dos povos.

A despeito da existência de pontos de vista distintos, o ambiente na ocupação era radicalmente democrático, respeitoso com a divergência, construtivo no pensar e fazer alternativas à "velha universidade" subordinada à razão instrumental de um capitalismo dependente. Ao lado dos painéis de azulejo, um precioso patrimônio, o alerta de que nada deveria ser colado em cima dos mesmos, pois as instalações da universidade são públicas. Há muito tempo não pude estar em um ambiente em que os valores universitários fossem tão vivos e genuinos. Saí da conversa otimista quanto ao futuro da universidade pública, pois minha convicção de que somente teremos uma reforma radical das universidades públicas com o forte protagonismo estudantil foi reforçada pelas extraordinárias contribuições daqueles estudantes.

Em nome do futuro da universidade podemos celebrar a figura de Einstein. O reitor da UFBA, por outro lado, juntar-se-á a uma seleta galeria de "reitores" que tentou impor os seus pontos de vista por meio da repressão, como foi o caso do ex-"reitor" da UFRJ José Henrique Vilhena, e de todos os que silenciaram coniventes diante do AI-5 e do Decreto 477.

A continuidade das retaliações contra os estudantes tem de ser vista como uma séria ameaça à concepção de universidade como um espaço de liberdade ilimitada em que é possível errar, sonhar e criar. Todos os que defendemos a liberdade acadêmica estaremos acompanhando com atenção os atos da administração para resguardar o direito a livre manifestação dos estudantes que, afinal, na áspera história da América Latina foi decisiva para forjar a universidade latino-americana!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

34 X 0 , Yeda leva de goleada de "oposição"!

Bom ao que parece a Governadora Yeda Crusius, Teve mais uma derrota com a votação da oneração de impostos, solução da pior especie que fomos novamente submentidos, por esse falso governo de choque de gestão!!!

Quase que esse choque de gestão tornou-se choque no bolso do trabalhador que acabaria por pagar mais caro a conta nos fins dos meses. Já não basta-se o ataque do seu Presidente que quer mante o CPMF, agora so faltava o estado resolver nos dar mais esse duro golpe.

Agora, não podemos achar que o estado foi salvo, por essa pseudo-oposição, não fizeram nada mais que o deveriam ter feito, que é a natural manutenção das condições dignas do trabalhador e da sociedade cívil que sofre cada vez mais com impostos.

Essa oposição do Estado que aqui tenta parecer uma solução ao fraco governo de YEDA, nacionalmente anda unida e voto com o LULA no senado. Aonde vamos acabar se continuar assim o País e o estado???

Devemos lembrar que essas oposições se contradizem quando o PT em canoas sinaliza uma possivel alinaça com o PTB e o PMBD fica aliado ao PSDB de Rochetthi e YEDA! Partidos que tem o mesmo plano de governo não podem serem novamente credibilizados pelo povo de Canoas!

O povo de Canoas deve pensar duas vezes antes de votor denovo no PSDB de YEDA

Adm. Ueiler Lisoski Duarte

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Debate sobre aquecimento Global!

Texto do Camarada do Ceara João Alfredo!!!


Aquecimento Global, Ecologismo dos Pobres e Ecossocialismo

João Alfredo Telles Melo

“Do ponto de vista de uma formação socioeconômica mais avançada, a propriedade privada dos indivíduos na Terra parecerá tão absurda como a propriedade de um homem sobre outros homens. Mesmo uma sociedade inteira, uma nação, ou mesmo todas as sociedades existentes num dado momento, em conjunto, não são donos da Terra. São simplesmente os seus possuidores, os seus beneficiários, e têm que a legar, num estado melhorado, para as gerações seguintes, como boni patri famílias (bons pais de família)” (Karl Marx, “O Capital”).

John Bellamy Foster, autor de um dos livros mais importantes para os ecossocialistas (“A Ecologia de Marx, materialismo e natureza”, Civilização Brasileira), em artigo recente, intitulado “A Ecologia da Destruição”, nos chama a atenção para o fato de que “é uma característica da nossa época que a devastação global pareça sobrepor-se a todos os outros problemas, ameaçando a sobrevivência da terra como a conhecemos”.

A grande repercussão do quarto relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU, em sua sigla em inglês) - em que milhares de cientistas de praticamente todo o planeta, não só constataram a relação direta entre fenômenos climáticos intensos decorrentes do aquecimento global com a emissão dos chamados gases de efeito estufa (GEE) pelas atividades industriais, energéticas e agrícolas, mas também apontaram projeções catastróficas para este século, caso não haja uma drástica mudança na matriz energética e no padrão de consumo – deu foros de cientificidade ao documentário “A Verdade Inconveniente”, do ex-vice-presidente estadunidense Al Gore, que recebeu o Oscar deste ano e também, juntamente com o próprio IPCC, o prêmio Nobel da Paz.

Portanto, com exceção da minoria dos chamados “céticos”, dentre os quais se encontram cientistas sérios, como o brasileiro Aziz Ab´Saber, e organizações bancadas pelo Governo Bush e pelas grandes indústrias de petróleo e carvão mineral no mundo, há uma ampla maioria – amplíssima, diria – de gente da comunidade científica (e aqui se perfilam brasileiros da maior respeitabilidade, como José Goldenberg, Carlos Nobre e Luis Pinguelli Rosa), dos movimentos ambientalistas, de governos e até de setores empresariais que, a partir dos dados do IPCC, procuram encontrar saídas para a crise planetária, manifestada hoje pelo aquecimento global que ameaça a vida na Terra.

Abra-se aqui parêntesis para aduzir que a aposta que os céticos – em sua versão séria e não comprometida com os interesses do capital petroleiro e mineral – é uma aposta perdida, em suas duas possibilidades. Se eles estiverem errados (quando afirmam que o fenômeno do superaquecimento é natural e que as previsões do IPCC estão equivocadas), podem, de forma involuntária, estarem contribuindo com o lobby das grandes corporações petrolíferas e mineiras, impedindo a mudança do padrão energético para as fontes renováveis e serem co-responsáveis pela catástrofe que se prenuncia. Por outro lado, se estiverem certos (o que não é muito provável, dado o amplo consenso científico alcançado depois de quase vinte anos de IPCC), estão atrasando a nossa evolução para a despoluição do planeta. Ou seja, ainda que, numa hipótese quase absurda, não esteja ocorrendo o aquecimento provocado pelas atividades humanas, o alerta do IPCC, no mínimo, questiona o modo de produção e o modo de vida humana no planeta e nos induz a mudanças profundas e necessárias.

Voltando ao tema, vou me permitir não mais ter que detalhar, mas apenas listar, em parte, o extenso e impactante elenco de fenômenos climáticos e de suas resultantes sobre a vida no planeta, já amplamente divulgada pela grande imprensa, como o acréscimo da temperatura média da terra, o derretimento das geleiras e calotas polares, a desaparição de espécies, a subida do nível do mar, a desertificação e seus profundos impactos sobre a humanidade, que poderá conviver – aliás, já está convivendo - com os chamados “refugiados ambientais” (vítimas de enchentes, tornados, secas, furacões, que, nos últimos tempos, têm atingido populações tão diversas como as asiáticas, as das pequenas ilhas do Pacífico, ou mesmo, nas terras do Império Americano, com o Katrina, em New Orleans, e o incêndio que está devastando a Califórnia, nos últimos dias).

Se voltarmos ao nosso país – que é o quarto maior emissor de GEE, em face das queimadas e desmatamentos de nossas florestas – o que se prenuncia é gravíssimo. Se, em todo o planeta, no próximo século, ultrapassarmos a linha perigosa de acréscimo de 2oC na temperatura média da terra, metade de nossa Floresta Amazônica (a mais importante cobertura vegetal tropical do planeta) se transformará em savana, causando profundos impactos não só na própria temperatura da terra, como no regime de chuvas em todo o hemisfério sul. Para o Nordeste brasileiro, as previsões não são menos sombrias. O nosso semi-árido, que, mais uma vez, convive com uma estiagem prolongada, se transformaria em região árida, num quase deserto, sem água e sem produção agrícola.

Estaríamos diante do apocalipse? Paulo Artaxo, um dos cientistas brasileiros do IPCC, tenta nos tranqüilizar: “O aquecimento global não é o fim do mundo, de jeito nenhum”, mas adverte: “um dos pontos cruciais do relatório do IPCC é a urgência da diminuição da emissão dos gases do efeito estufa. Se não fizermos isso, a temperatura vai subir de forma a trazer danos para os ecossistemas e zonas costeiras sem precedentes na história da humanidade”. Para ele – e o IPCC – esse corte deveria ser em torno de 50 a 70 por cento. (Caros Amigos, edição especial: “Aquecimento Global, a busca de soluções”).

Ora, a necessidade imperiosa da redução na emissão de GEE na escala de 50 a 70% torna o Protocolo de Kyoto (que, todos sabemos, não foi assinado nem pelos Estados Unidos, primeiro ou segundo maior emissor de CO2, nem pela Austrália, uma das maiores exploradoras de carvão mineral) absolutamente obsoleto e inócuo. Recorde-se: Kyoto propõe, apenas para os países em desenvolvimento (principais responsáveis pelo aquecimento), o corte de somente 5% (nos níveis de 1990) para até 2012. O Brasil, a Índia e a China, dentre outros, (que, dado o seu crescimento econômico vertiginoso já teria ultrapassado os EUA e que tem na base de sua matriz energética o combustível de maior poluição, que é o carvão mineral) não são obrigados a cumprir metas de redução.

Todo esse debate não se refere, por óbvio, apenas a números. Aqui se trata, em primeiro lugar, da tentativa de se compatibilizar a urgência urgentíssima na diminuição drástica de emissão de CO2 e outros GEE para a atmosfera, com o direito e a necessidade de países pobres se desenvolverem e atenderem os direitos e necessidades de sua população.

Como atender tais necessidades sem tocar no padrão de vida e consumo das classes médias e altas tanto no Hemisfério Norte (onde são majoritárias) como no Hemisfério Sul (onde são minoritárias)? (Já gastamos 25% a mais do capital natural da terra e seria preciso que tivéssemos pelo menos quatro planetas terra para que todos alcançassem o nível de vida do chamado “american way of life”.) Uma nova “utopia” (sustentabilidade ambiental, igualdade social e desenvolvimento econômico em escala planetária) seria possível na atual configuração geopolítica mundial onde o poder destrutivo da indústria armamentista, petrolífera e minerária se materializa em governos como de Bush, senhor das guerras no mundo? É possível superar a atual crise nos marcos do sistema capitalista? Nas palavras, mais uma vez, de Foster: “Como é que isto se relaciona com as causas sociais e que soluções sociais podem ser oferecidas em resposta tornaram-se as questões mais urgentes com que a humanidade se defronta”.

Esse debate se situa no campo da chamada “Ecologia Política”, que, na compreensão de Joan Martinez Alier, estuda “os conflitos ecológicos distributivos – isto é, os conflitos pelos recursos ou serviços ambientais, comercializados ou não”. Para ele, a ecologia política é “um novo campo nascido a partir dos estudos de caso locais pela geografia e antropologia rural, hoje estendidos aos níveis nacional e internacional” (“O Ecologismo dos Pobres”, Editora Contexto). É a ecologia política, juntamente com a economia ecológica, quem pode nos desvendar as causas da crise e apontar as soluções reclamadas por Foster acima.

Carlos Walter Porto-Gonçalves, um dos mais atilados ecologistas políticos da atualidade nos situa, de forma ainda mais precisa, na atual crise planetária, quando afirma que “o desafio ambiental se coloca no centro do debate geopolítico contemporâneo enquanto questão territorial, na medida em que põe em questão a própria relação da sociedade com a natureza, ou melhor, a relação da humanidade, na sua diversidade, com o planeta, nas suas diferentes qualidades” (“O Desafio Ambiental”, Editora Record).

Para ele, há contradições profundas entre a economia capitalista e a dinâmica ambiental. A separação – “a mais radical possível”, em suas palavras entre homens e mulheres, de um lado, e a natureza, de outro; a apropriação privada dos recursos ambientais, em que tudo é transformado em mercadoria; o “princípio da escassez”, pelo qual um “bem só tem valor econômico se é escasso” são absolutamente contraditórios com a visão ecológico-ambientalista de riqueza natural. Vejamos, em suas próprias palavras:

”Os economistas modernos vão fundar a economia no conceito de escassez, que, paradoxalmente, é o contrário da riqueza. Tanto é assim que os bens abundantes – idéia central da riqueza – não são considerados como bens econômicos e, sim, como naturais (...) Somente à medida que a água e o ar se tornam escassos – com a poluição, por exemplo – é que a economia passa a se interessar em incorporá-los como bens no sentido econômico moderno, isto é, mercantil”.

Essa distinção entre riqueza natural – objetivo maior de todos os movimentos ecológicos – e riqueza material – que advém da escassez e, para deleite do sistema mercantil, transforma os bens ambientais em mercadoria – também é tratada por Foster, em outro belo texto, chamado “Revolução Ecológica”, onde se vale do filósofo grego Epicuro, que declarava: ""Quando medido pelo propósito natural da vida, a pobreza é grande riqueza, riqueza ilimitada é grande pobreza".

Portanto, para Foster, “o livre desenvolvimento humano, surgindo num clima de limitação e sustentabilidade naturais, é a verdadeira base da riqueza, de uma riqueza para a existência multilateral; a busca sem limites de riqueza é a fonte primária do empobrecimento e sofrimento humanos. É desnecessário dizer que tal preocupação com o bem estar natural, em oposição a necessidades e estímulos artificiais, é a antítese da sociedade capitalista e a pre-condição de uma comunidade humana sustentável”.

Assim, é plenamente justificável que se afirme que, sob o capitalismo, não há possibilidade de superação da atual crise planetária, o que nos permitiria atualizar, como quer Michel Löwy, outro grande expoente atual do ecossocialismo, a consigna de Rosa Luxemburgo para “Ecossocialismo ou Barbárie”.

Ora, afirmar isto – a contradição fundamental entre o sistema capitalista e uma nova forma de organização sócio-político-econômica fundada na sustentabilidade e justiça ambiental, na igualdade social e, também, por óbvio, na democracia política em suas formas mais avançadas de participação popular – por si só, não é suficiente para os ecossocialistas. Nas palavras de Löwy: “É preciso começar a construir esse futuro desde já. É necessário participar de todas as lutas, inclusive das mais modestas; como, por exemplo, a de uma comunidade que se defende contra uma empresa poluidora; ou a defesa de uma parte da natureza que esteja ameaçada por um projeto comercial destrutivo. É importante ir construindo a relação entre as lutas sociais e as ambientais, pois elas tendem a concordar, unidas ao redor de objetivos comuns” (“Ecologia e Socialismo”).

É esse campo – os das lutas sócio-ambientais – que reclama a presença dos ecossocialistas. Aqui, poderíamos listar as lutas das comunidades costeiras contra o turismo predatório e a criação de camarões em cativeiros; a resistência dos atingidos por barragens contra os grande projetos hidrelétricos; o movimento que reúne sem terra, agroecologistas, defensores de consumidores e ambientalistas contra a adoção de sementes transgênicas; a luta de populações locais contra a ampliação das usinas nucleares; a resistência de índios e pequenos agricultores no embate contra a transposição das águas do Rio São Francisco; a articulação dos povos da floresta – índios, quilombolas, seringueiros e ribeirinhos – contra ao avanço do agronegócio do gado e da soja na Amazônia Brasileira; a luta das mulheres camponesas contra o exército verde da monocultura do eucalipto; o enfrentamento dos ecologistas e urbanistas contra a especulação imobiliária nas grandes metrópoles etc.

Aqui, estamos diante do que Martinez Alier denomina de “ecologismo dos pobres” ou “ecologismo popular”, que, nas palavras do autor, tem como eixo fundamental o interesse pelo meio ambiente como “fonte de condição para a subsistência” e como fundamento ético “a demanda por justiça social (e ambiental, acrescentaria) contemporânea entre os humanos”. Essa corrente do movimento ambientalista, por lutar “contra os impactos ambientais que ameaçam os pobres, que constituem a ampla maioria da população em muitos países” tem uma presença muito forte nos países do Hemisfério Sul (no antigamente denominado terceiro mundo).

As lutas com tais características – sócio-ambientais, do ecologismo popular – têm uma importância fundamental, não só para os ecossocialistas, mas para o próprio futuro do planeta. Ali, há uma resistência que, partindo da luta concreta por direitos humanos básicos de moradia, cultura, de modo de vida e de produção, e, também, ao ambiente saudável, questiona os fundamentos não só do atual modelo econômico, mas, em última análise, investe contra as bases do próprio modo de apropriação privada do sistema capitalista, responsável pelo atual estágio de degradação do ambiente planetário. Nessas comunidades, se contrapõem não só interesses materiais, mas formas de vida e produção antagônicas.

Portanto, neste momento (mesmo que ainda de forma não articulada) podem se estar forjando não só as alianças sociais fundamentais para esse processo de transformação urgente e necessário - a Revolução Ecológica - mas, também, as bases sócio-econômico-ecológico-cultural-ético-políticas de uma nova sociedade que possa superar a atual crise ambiental global para se tornar, a um só tempo, ecologicamente sustentável, socialmente justa e igualitária, cultural e etnicamente diversa, e política e radicalmente democrática: a sociedade ecossocialista. Estaremos à altura desse imenso desafio?

João Alfredo Telles Melo é advogado, professor de Direito Ambiental e consultor do Greenpeace

domingo, 4 de novembro de 2007

Resoluções e Moções do PSOL CANOAS

Resoluções

Resolução: botar o PSOL na rua!

Nós somos um partido muito novo, temos apenas três anos de vida. Mas, mais do que isso, precisamos ser um partido de tipo novo: um novo partido contra a velha política!
Depois da traição de Lula e do PT, dos consecutivos processos de escândalos de corrupção, a população esta cética e indignada achando cada vez mais que os políticos são todos iguais.
Somos muito diferentes, somos o único partido com expressão parlamentar no qual qualquer militante pode andar na rua de cabeça erguida exibindo seu botão ou camiseta, e isso porque não só não estamos envolvidos nos processos sucessivos de corrupção e porque estamos na primeira fila da luta contra essa corrupção que é sistemática e intrínseca ao sistema capitalista.
Fomos nós que realizamos as denúncias contra Renan Calheiros, fomos nós que denunciávamos e lutamos contra as reformas criminosas de Lula, que lutamos pelo meio ambiente e pelo ecossocialismo, que lutamos contra a política financeira, monetária e cambial do governo, enfim, que lutamos contra o capital.
Mas é preciso que o povo, os trabalhadores, a juventude, as mulheres, os desempregados estejam conosco, construindo esta alternativa política que é o PSOL.Por isso precisamos colocar o PSOS na rua, buscar novos filiados, fazer agitação e propaganda constantemente.
Sendo assim, deliberamos que realizaremos no mínimo uma vez por mês uma aproximação com a população. Não pode haver nenhuma greve, nenhuma mobilização, nenhum protesto de qualquer movimento social em que os militantes e dirigentes do POSL não estejam presentes. Precisamos ir aos bairros e vilas, não só nas épocas de eleições mas cotidianamente.

Resolução sobre os Núcleos

Atualmente em Canoas temos 6 Núcleos do partido na cidade: Renovação e Luta, Juventude nas Ruas, Niterói, Mathias Velho Parada 18, Maringá e Guajuviras. E é importante que tenhamos mais Núcleos.
Os Núcleos tem papel fundamental na vida do partido: são os organismos que garantem a democracia, que garantem o controle da base sobre a direção, que garantem a politização e organicidade da militância: em última instância, é o que garante a vida no partido.
São os Núcleos também que vão garantir a distribuição e venda dos jornais, bem como a quotização financeira dos militantes.
Para considerarmos um Núcleo em funcionamento de acordo com o estatuto do partido o Núcleo precisa reunir, no mínimo, uma vez por mês. Cabe à direção municipal ajudar a fazer com que isto aconteça, a mobilizar e pautar quais são os temas centrais no cenário nacional, estadual e de Canoas.
Por fim, consideramos importante que cada Núcleo tenha um tesoureiro responsável por recolher a cotização e as demais iniciativas financeiras, bem como alguém responsável pela distribuição e cobrança do jornal nacional do partido.

Resolução Setorial de Mulheres

Propomos que as companheiras e companheiros canoenses sejam parte da construção da setorial de mulheres do nosso partido, bem como nossa participação do Encontro Estadual das Mulheres do PSOL que se realizará ainda este ano.
Entendemos que a luta socialista não é possível sem a luta contra toda a opressão que sofre o Ser Humano e por entender também que seja fundamental a participação das mulheres na luta pelo Socialismo e pela Liberdade. Reivindicamos também formação neste sentido.

Resolução de Juventude

O PSOL de Canoas deve dar conta de uma demanda específica que é a juventude, organizar estudantes e jovens trabalhadores para o enfrentamento político na cidade, dialogar com suas diversificadas expressões culturais e artísticas, debatendo a realidade violenta e sem perspectiva da juventude canoense. Para isso se faz necessário um encontro de Juventude para construirmos a política desta setorial para a nossa cidade assim como eleger sua direção e indicar um nome para a Secretaria de Juventude do PSOL.

Moções

Moção de apoio à passagem e estadia da Marcha do MTS na cidade de Canoas

A Marcha pela Reforma Agrária chega à Canoas com o MST vindo dialogar com as comunidades locais, vilas, Igrejas, Associações, escolas, fábricas, para chamar a atenção da sociedade e da classe trabalhadora para a necessidade de se construir um novo projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul.
Vieram realizar um debate político contra a Monocultura do Eucalipto, da soja transgênica, do uso do solo gaúcho para o lucro de poucos em detrimento de toda a sociedade.
Neste debate o MST propõe a construção de um projeto popular de desenvolvimento do RS e do Brasil. Neste projeto a Reforma Agrária têm o papel de repartir as riquezas rurais e garantir trabalho, saúde, educação, moradia e lazer.
Para as cidades esta Reforma Agrária significa alimento barato e saudável sobre a mesa além da oportunidade de uma transformação para a população excluída das grandes cidades e periferias a partir da luta pela terra.

Reforma Agrária por Justiça Social e Soberania Popular!

Apoiamos esta ação do MST em nossa cidade, contra o latifúndio e por um futuro socialista para todos e todas.


Moção Rádios Comunitárias

Nosso partido manifesta o apoio à todas as rádios comunitárias de nosso município por serem elas importantes ferramentas contra a mídia burguesa, ao direito à informação e por agregar a luta dos movimentos populares de nossa cidade.

Moção Skatistas

Apoio aos camaradas skatistas da cidade de Canoas e a toda a galera que participa do esporte e organiza a União Canoense de Skatistas Independentes – UCASI – por ser de extrema importância esta expressão cultural e da juventude canoense.

Moção de Repúdio ao sistema de Transporte Público

Moção de repúdio ao sistema de transporte público Transbordo que foi implementado sem nenhuma consulta à população desrespeitando a vontade pública e trabalhando com uma lógica que prioriza o transporte de mercadorias que atravessa a cidade em detrimento de um transporte digno aos trabalhadores e trabalhadoras. Assim como repudiamos o monopólio de transporte público em Canoas e na Região Metropolitana apontando para alternativas como cooperativas de transporte em gestão dos trabalhadores e trabalhadoras.

Moção de Repúdio à Terceirização do Serviço de Saúde

Repudiamos a terceirização do serviço de saúde pública em Canoas, exigimos a abertura de concurso público para os profissionais desta área, médicos, enfermeiros, técnicos, atendentes e serviço de estrutura para o hospital, Pronto Socorro e os Postos de Saúde do município que estão entregues à alunos da Ulbra e profissionais terceirizados. Passando assim, para o município a responsabilidade destes serviços e de possíveis erros médicos e do mau atendimento, pois da maneira como está o paciente não sabe como exigir seus direitos a um serviço digno de saúde.

Moção sobre o Lixo no Guajuviras

Nós do PSOL, queremos que sejam tomadas atitudes em relação aos sistema de coleta de lixo em Canoas, que sejam criadas políticas públicas de geração de emprego e renda através da reciclagem de resíduos, visando a inclusão social da população que sobrevive do lixo que é produzido pela cidade, que sejam criados centros de triagem e galpões de reciclagem e não que sejam favorecidas algumas empresas que visam apenas lucro e acúmulo de capital, mediante contratos milionários com o governo municipal.

Moção pela Reforma Urbana

As classes dominantes são responsáveis pela exploração dos moradores e inquilinos canoenses, seja comércio ou residências, cujos proprietários capitalistas rasgam a Constituição Federal deturpando a função social da propriedade com o enriquecimento meteórico sem causa social e dificultando a geração de trabalho e empregos pelos comerciantes e pequenos e médios produtores, verdadeiros escravagistas dos inquilinos e moradores de nossa cidade.

Moção de Repúdio à falta de Saneamento Básico e Serviços de Água e Esgoto

Repudiamos a falta dos serviços públicos de saneamento básico, água potável e esgoto na cidade de Canoas pela Prefeitura em diversos governos municipais deteriorando a qualidade de vida do povo e impossibilitando o acesso a condições mínimas de vida.
Apontamos para a urgência da realização destes serviços de necessidades básicas para uma vida saudável e digna da população.