terça-feira, 27 de novembro de 2007

Debate Aberto! Frase desrepeitosa e contra a legitimidade do presidente da Venezuela!!

¿Porqué no te callas?

Não se imagina um chefe de Estado europeu dirigir-se nesses termos publicamente a um colega europeu quaisquer que fossem as razões do primeiro para reagir às considerações do último. Esta frase é reveladora em diferentes níveis.

Boaventura de Sousa Santos

Esta frase, pronunciada pelo Rei de Espanha dirigindo-se ao Presidente Hugo Chávez durante a XVII Cúpula Iberoamericana realizada no Chile, no dia 10 de Novembro, corre o risco de ficar na história das relações internacionais como um símbolo cruelmente revelador das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colônias. De fato, não se imagina um chefe de Estado europeu dirigir-se nesses termos publicamente a um colega europeu quaisquer que fossem as razões do primeiro para reagir às considerações do último. Como qualquer frase que intervém no presente a partir de uma história longa e não resolvida, esta frase é reveladora em diferentes níveis.

Ela revela, em primeiro lugar, a dualidade de critérios na avaliação do que é ou não democrático. Está documentado o envolvimento do primeiro-ministro de Espanha de então, José Maria Aznar, no golpe de Estado que em 2002 tentou depor um presidente democraticamente eleito, Hugo Chávez. Porque, naquela altura, a Espanha presidia à União Européia, esta última não pode sequer clamar total inocência. Para Chávez, Aznar ao atuar desta forma, comportou-se como um fascista. Pode questionar-se a adequação deste epíteto. Mas haverá tanta razão para defender as credenciais democráticas de Aznar, como fez pateticamente Zapatero, sem sequer denunciar o carácter antidemocrático desta ingerência?

Haveria lugar à mesma veemente defesa se o presidente eleito de um país europeu colaborasse num golpe de Estado para depor outro presidente europeu eleito? Mas a dualidade de critérios tem ainda uma outra vertente: a da avaliação dos fatores externos que interferem no desenvolvimento dos países. Num dos primeiros discursos da Cúpula, Zapatero criticou aqueles que invocam fatores externos para encobrir a sua incapacidade de desenvolver os países. Era uma alusão a Chavez e à sua crítica do imperialismo norte-americano.

Pode criticar-se os excessos de linguagem de Chávez, mas não é possível fazer esta afirmação no Chile sem ter presente que ali, há trinta e quatro anos, um presidente democraticamente eleito, Salvador Allende, foi deposto e assassinado por um golpe de Estado orquestrado pela CIA e por Henry Kissinger. Tão pouco é possível fazê-lo sem ter presente que atualmente a CIA tem em curso as mesmas táticas usando o mesmo tipo de organizações da “sociedade civil” para destabilizar a democracia venezuelana.

Tanto Zapatero como o Rei ficaram particularmente agastados pelas críticas às empresas multinacionais espanholas (busca desenfreada de lucros e interferência na vida política dos países), feitas, em diferentes tons, pelos presidentes da Venezuela, Nicarágua, Equador, Bolívia e Argentina. Ou seja, os presidentes legítimos das ex-colônias foram mandados calar mas, de fato, não se calaram. Esta recusa significa que estamos a entrar num novo período histórico, o período pós-colonial, teorizado, entre outros, por José Marti, Gandhi, Franz Fanon e Amilcar Cabral e cujas primicias políticas se devem a grandes lideres africanos como Kwame Nkrumah. Será um período longo e caracterizar- se-á pela afirmação mais vigorosa na vida internacional dos países que se libertaram do colonialismo europeu, assente na recusa das dominações neocoloniais que persistiram para além do fim do colonialismo.

Isto explica porque é que a frase do Rei de Espanha, destinada a isolar Chávez, foi um tiro que saiu pela culatra. Pela mesma razão se explicam os sucessivos fracassos da União Européia para isolar Roberto Mugabe.
Mas “¿porqué no te callas?” é ainda reveladora em outros níveis. Saliento três. Primeiro, a desorientação da esquerda européia, simbolizada pela indignação oca de Zapatero, incapaz de dar qualquer uso credível à palavra “socialismo” e tentando desacreditar aqueles que o fazem. Pode questionar-se o “socialismo do século XXI” - eu próprio tenho reservas e preocupações em relação a alguns desenvolvimentos recentes na Venezuela - mas a esquerda européia deverá ter a humildade para reaprender, com a ajuda das esquerdas latinoamericanas, a pensar em futuros pós-capitalistas.

Segundo, a frase espontânea do Rei de Espanha, seguida do ato insolente de abandonar a sala, mostrou que a monarquia espanhola pertence mais ao passado da Espanha que ao seu futuro. Se, como escreveu o editorialista de El País, o Rei desempenhou o seu papel, é precisamente este papel que mais e mais espanhóis põem em causa, ao advogarem o fim da monarquia, afinal uma herança imposta pelo franquismo. Terceiro, onde estiveram Portugal e o Brasil nesta Cúpula? Ao mandar calar Chávez, o Rei falou em família. O Brasil e Portugal são parte dela?

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

"Por que não te calas já?!"

Laerte Braga


Juan Carlos Bourbon investiu-se dos poderes de colonizador e perguntou ao presidente da Venezuela por que ele não se calava? Chávez fez críticas à Espanha na reunião de países ibero americanos. Acusou empresas espanholas de negócios escusos, o ex-primeiro ministro Jose Maria Aznar de "fascista" e de participação no golpe de 2002 que tentou derrubar o venezuelano e, lógico, a GLOBO aqui editou a discussão entre o rei e o presidente (eleito pelo voto popular) não mostrando a resposta de Chávez.

Daniel Ortega, presidente sandinista da Nicarágua havia feito críticas a empresas espanholas que atuam em seu país momentos antes. Ortega denunciou a reunião do embaixador da Espanha em seu país, em Manágua, dias antes das eleições, na tentativa de mobilizar forças para evitar sua vitória. Disse com todas as letras que vitorioso, recebeu proposta de suborno de empresas espanholas que operam na Nicarágua.

O presidente sandinista acusou a Espanha de permitir que os Estados Unidos usem bases militares espanholas para operações contra povos de outros países e citou o exemplo do bombardeio contra a casa de Kadafhi, na Líbia. O presidente líbio escapou, mas seus filhos morreram no bombardeio.

O presidente da Argentina, Nestor Kirchnner acusou a Espanha de práticas colonialistas e denunciou a ação predatória de empresas espanholas na Argentina. O presidente Evo Morales, da Bolívia, reclamou de pressões do governo espanhol para ceder favores a empresas espanholas. Rafael Corrêa do Equador fez denúncias semelhantes.

Chávez secundou e ratificou todas as acusações, saiu em defesa dos presidentes dos países da América Latina e respondeu ao rei que "não temo o senhor, fui eleito pelo meu povo e não permitirei que se repitam as matanças históricas da época da colonização, praticadas pelo seu país".

A acusação a Aznar, chamado de fascista foi simples e direta: "Aznar é um fascista". Dois países reconheceram o golpe tentado contra Chávez em abril de 2002. Espanha e Estados Unidos. Aznar governava a Espanha.

A derrota eleitoral do candidato de Aznar para o atual primeiro-ministro espanhol Zapatero se deveu à mentira de Aznar a propósito de um atentado do grupo separatista basco ETA, em território espanhol, dois ou três dias antes do pleito. Aznar, que havia enviado tropas espanholas para o Iraque (foram retiradas por Zapatero) tentou inculpar a Al Qaeda e a Espanha inteira percebeu que estava diante de uma cilada, uma tentativa de atrelar o país ao império norte-americano. Uma simples consulta a jornais espanhóis da época vai revelar que os votos que deram a vitória ao Partido Socialista (?) de Zapatero vieram da mentira de Aznar.

Um ano após a derrota de seu candidato para Zapatero, Aznar foi acusado, pela imprensa norte-americana, de receber dinheiro da CIA (Agência Central de Inteligência) norte-americana, para uma organização (fundação ou ONG) que montara e que desenvolvia ações golpistas em países de língua espanhola a favor dos interesses de empresas privadas e dos EUA.

Uma reunião como a que aconteceu no Chile se presta a que debates desse jaez aconteçam. Se Chávez reagiu de forma histriônica ou não, isso é outro problema. Com toda certeza um Chávez vale milhões de vezes mais que um Juan Carlos. Franquista (uma das mais cruéis ditaduras da história do século XX) e sabidamente de extrema-direita.

Só para se ter uma idéia pálida de como atuam os empresários espanhóis em países da América Latina, basta recordar o naufrágio do Bateau Mouche, num reveillon, há alguns anos atrás no Brasil. Como os donos da empresa fossem espanhóis, a embaixada do país entrou em ação e pressionou as autoridades brasileiras para que tudo ficasse em mero jogo de cena. Fatalidade. O descuido e a característica criminosa do fato (barco inadequado, sem manutenção, super lotado) não contavam para o embaixador e o governo da Espanha.

Todos os espanhóis envolvidos no naufrágio estão em liberdade e nenhuma família dos mortos foi indenizada como determinado na lei. Um deles, Chico Recarey freqüentava colunas sociais, era tido como rei da noite, dono de pontos de prostituição (boate Help em Copacabana, esquina de rua Miguel Lemos e avenida Atlântica). Era um deles, um dos espanhóis.

Juan Carlos, fascista como Aznar, ambos estão acostumados a terem tapetes vermelhos estendidos por presidentes latino-americanos fracos ou corruptos quando chegam para a velha história de trocar apito com os "índios" locais. Neste momento não conseguem. Nem com Chávez. Nem com Ortega. Nem com Morales. Muito menos com Corrêa e menos ainda com Kirchnner.

O rei da Espanha hoje é só vitrine dos negócios de empresas espanholas, imagem construída por essa estranha e doentia fascinação das elites por condes, marqueses, duques, etc. Nada além disso.

O que a mídia fez foi aproveitar, editar, mutilar os fatos, apresentá-los como convinha e convém aos interesses dos espanhóis, tudo dentro de um processo visível de tentativa de derrubar o presidente da Venezuela.

São "negócios" de bucaneiros, piratas, saqueadores.

A explosão de Juan Carlos Bourbon se deve também, vários jornalistas presentes ao encontro revelaram isso a seus jornais, inclusive jornais norte-americanos, às manifestações de apoio a Chávez. O venezuelano foi seguido enquanto esteve no Chile por um cortejo de chilenos a ovacioná-lo. O rei está acostumado a "dar a bênção real" aos antigos colonos (acredita que ainda seja assim) e não gostou de ficar em segundo plano.

Zapatero? Malgrado os méritos de seu governo, retirou as tropas espanholas do Iraque, já foi enquadrado e apenas suaviza o chicote e o pelourinho herdado de Pizarro e Cortez.

É bom nunca se esquecer que uma das maiores matanças da história da América do Sul foi praticada por espanhóis contra o povo Inca. Está em todas as páginas, de todos os livros de história.

Vale lembrar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo sobre o período em que os mouros ocuparam a Espanha: "nunca destruíram nada e quando saíram todos os monumentos históricos estavam intatos, ao contrário dos cristãos quando ocuparam países árabes: destruíram o que puderam para implantar a verdade cristã".

Os leiloeiros de New York estão cheio de peças saqueadas do Museu do Iraque, o Museu Babilônico, desde a ocupação daquele país pelos norte-americanos.

O rei da Espanha é tão somente um bibelô a exibir-se na esteira dos "grandes negócios" dos empresários de seu país.

Nem rei mais se faz como antigamente. Deve ter pensado que estava se dirigindo a um dos seus súditos quando mandou Chávez calar. Recebeu a resposta devida e a altura.

Se a GLOBO não mostrou é por que a GLOBO, como a grande mídia no País, está a serviço do capital internacional e das máfias que controlam os "negócios".

Está aí o genro de FHC estrebuchando porque a PETROBRAS removeu as licitações de prospecção na bacia de Santos e vai ela própria tomar conta da reserva recém descoberta. O sacripanta, sem nenhum caráter, está defendendo empresas estrangeiras. Pensa também que o presidente da República ainda é o ex-sogro, ambos corruptos e venais.

Isso também a GLOBO não vai falar, as empresas estrangeiras são grandes anunciantes.

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